Parece nome de novela brega do Vale a pena ver de novo, né? Mas apesar do clichezão, esta foi uma das coisas mais bacanas que aprendi nos últimos tempos. Não tem como dar um outro nome a ele e é um dos sentimentos mais difíceis de aprender!
Já contei a vocês que Amor é bicho livre, que gosta de correr solto por aí e que se o deixarmos assim, ele fica! Sem engaiolar o bicho! Mas, nós temos medo. Medo da perda, medo da solidão, medo da sociedade. Gostamos de título! Meu marido, meu namorado, minha mulher, minha esposa, meu amigo e por aí vai! E olha lá o pronome possessivo na frente dos títulos! Vocês lembram que pronome possessivo são palavras que indicam a pessoa gramatical (POSSUIDOR), acrescentando a ela a idéia de posse de algo (COISA POSSUÍDA)?.....possuidor...coisa possuída.... Isso não tem nada a ver com amor!
Vou exemplificar com algo do meu cotidiano. Em casa tem um jardim e sou a louca da planta. Gosto de plantas! Arrisco dizer que gosto mais de plantas do que de pessoas. E costumo chamá-lo de MEU jardim, por que ele está dentro dos muros de casa. Mas isso não está certo, por que o jardim pode viver sem mim! A chuva molha, as minhocas arejam a terra, as raízes procuram um lugar bacana para tirar os nutrientes, as borboletas polinizam o lugar fazendo sempre com que nasçam novas plantinhas, o sol dá a energia que elas precisam para crescer, ele vive sem mim!
Qual é o meu papel nisso tudo? O que forneço ao jardim para que ele floresça tanto? O que faz com que ele seja diferente dos outros? Eu forneço o amor! As plantas do jardim não tem nomes nem pronomes, as chamo de lindas, cheirosas e quanto mais adjetivos eu achar no momento. Falo bom dia, boa tarde, boa noite. Temos longas conversas, e digo mais, divido meus problemas com elas sim! Mesmo sabendo que elas não poderão me ajudar. É só pelo dividir e amar. Não cobro que elas me deem flores, nem que os temperos cresçam e façam o jardim ficar cheiroso e minha comida mais gostosa. Não cobrar é uma coisa muito bacana nesta vida! Eu simplesmente dou amor! E é assim que elas retribuem. Com o mesmo amor!
Não existe um dia que eu não saia no quintal e não tenha brotado uma nova flor. Quando chove, ele vira o lugar mais cheiroso do mundo. A dama da noite, os pés de manjericão, a arruda, todos exalando ao mesmo tempo o que eles tem melhor para me dar. Casulinhos de borboleta por toda a parte. Sabiá cantando todos os dia de manhã na árvore! Eles vêm! Sem cobrança. Sem gaiolas!
Não miro naquilo que ele pode me oferecer. Não converso com as plantas esperando as flores. Corro atrás diariamente da minha sobrevivência, assim como o jardim corre atrás da dele! E é assim com os pássaros, as borboletas e tudo mais que lá habitam! Nós coexistimos com amor! Amor por amor!
Acredito que vocês tenham entendido onde quis chegar com toda esta história. O amor não nasceu para ser ruim, doer, ficar preso ou ser cobrado. Quem faz com que ele seja assim somos nós mesmos. E quando ele passa a ser isso, já não é mais amor! Esquecer os pronomes possessivos, os títulos, usar adjetivos, deixa a vida mais leve, mais cheirosa, mais gostosa, mais florida!
Não deixem que uma louca da planta como eu chegue para regar o jardim que você tanto almeja (sim...eu molho plantas sequinhas quando passo por elas na rua, mas isso preciso resolver com terapia e não aqui). Se você recebe amor, retribua! Isso não dói! Muito pelo contrário! Por que eu acredito que igual a mim, devam existir muitos. Muitos que acreditam no amor por amor! E estão soltinhos por aí, a procura de uma planta para conversar.
Dividam e coexistam, feras! Com amor. A vida fica muito mais bonita assim.

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