quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Curta Rústico da semana - THE EMPLOYMENT




Já pensaram em viver num mundo onde pessoas e objetos são a mesma coisa? Pois eu acho que isso é mais ou menos o que vivemos nos dias de hoje. Pessoas doando todo seu potencial e sendo tratadas como meros "Cumpridores de função". O lado do indivíduo enquanto ser que pensa e tem opiniões não é levado mais em consideração. Por isso, elegi como curta da semana uma animação super inteligente, dirigida pelo cartunista argentino Santiago "bou" Grasso, que mostra um pouco desta triste realidade. Vale a pena investir seis minutinhos e refletir sobre uma das regras mais rústicas de nossas vidas: O Emprego.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A mulher da Bíblia

a mulher da bíblia


Terminal Bandeira, linha 8605-10, 7:30 am. Fones de ouvido no talo, caveira estampada na blusa, o bom e velho All Star, tudo conspirava para que aquele dia fosse mais um dia útil. Casa, trabalho, casa. Mas não seria, por que neste dia entrou em minha vida um dos personagens mais emblemáticos que já conheci: A mulher da Bíblia.

Subi no ônibus, passei a catraca, fiz cara de mal humor para as pessoas acumuladas na porta ao lado do cobrador que atrapalhavam a passagem (e certeza que não iriam descer...certeza...eram só pessoas pensando no seu próprio umbigo!), caminhei até onde deu e me posicionei em um lugar onde não atrapalhasse a passagem e distante das portas. Tocava Godsmack nos fones e eu já ensaiava minha dancinha habitual das manhãs no coletivo, quando tomei uma sacolejada no ombro. Algo havia batido em mim. Virei com cara de poucos amigos e dei de frente com uma mulher segurando uma Bíblia e que gesticulava muito em minha direção. Ela não parecia feliz com o que dizia, mas feras...música boa no fone, sete e meia da manhã...ônibus lotado...não ia deixar de ouvir o som batuta para ver o que a mulher tanto esbravejava. Quieta fiquei e segui meu caminho.

Na manhã seguinte, ao entrar no ônibus, reparei que lá estava a mesma mulher com a Bíblia na mão, em cima de uns degraus, gesticulando e falando muito. Pensei comigo "Ah, são aquelas pessoas que pregam sua fé nos coletivos". Neste dia, o lindo Terminal Bandeira não estava tão lotado. Só que ao procurar um lugar para me posicionar, passei por ela e pláu! Tomei de novo a sacolejada! O que não seria muito bizarro dentro de um ônibus, né? Pessoas em pé, ele em movimento, esbarrões acontecem! Acontecem se eu não tivesse visto que a linda senhora me bateu com a Bíblia! Sim! Com o Livro Sagrado! Já contei a vocês que minha paciência é um lixo e eu lido muito mal com pessoas que tentam "arrebanhar" outras pessoas, sabe? Isso em qualquer coisa, seja política, religião, estilo de vida, alimentação, qualquer coisa. Se você tem, ótimo! Se você faz, excelente! Mas guarde para você e fale caso alguém perguntar. Acho incisivo esta gritação no ônibus ou em qualquer outro lugar público, incomodante, chato pacas. Seja do assunto que for. Resolvi não ligar novamente, por que a coisa não iria prestar e fui adiante.

Pasmem senhores e senhoras...encontrei com a dita mulher a semana toda! E todos os dias ela me batia com o Livro e gesticulava falando algo. Até que me emputeci e tirei os fones ao passar do lado dela e com a Bíblia que batia no meu ombro veio a seguinte frase: "Você não ganhará o Reino dos Céus", seguida de uma cara séria olhando bem dentro dos meus olhos. A mulher tinha dito isso para mim a semana toda! E eu, dentro do meu mundo musical, nem havia ligado. O que seria aquilo? Um julgamento? Uma praga? Por que eu ente todas as pessoas que estavam alí? Quem era ela que tinha todo este poder para decidir uma coisa desta? Olhei para ela com a mesma intensidade, um momento de tensão se formou, até que ela desviou o olhar e continuou proferindo salmos, frases e orações aos restantes.

Nos dias que se passaram, reparei que ela dizia um lindo "Vai com Deus" a alguns passageiros. A outros ela dizia um salmo quando passavam. Percebi que as pessoas acompanhavam a oração que ela fazia. Mas eu, Rita, continuava tomando com a Bíblia e ouvindo a frase praguenta. Para aquela mulher, eu não ganharia nunca o Reino dos Céus. Num destes momentos olho no olho que tivemos, já cansada de nosso relacionamento esquisito, perguntei enquanto ela me mirava: "por quê?"...a resposta foi um sorriso de canto de boca e a frase: "Ele virá e lhe mostrará". Seguindo com a pregação aos demais. Se isso acontecesse nos meus áureos tempos, esta senhora teria engolido o Livro junto com as palavras dela. Sem dó nem piedade. Mas, a gente amadurece e isso é uma dádiva, né? Achei por bem que esticar aquilo com a pessoa não ia dar em nada. Ficaria alí ouvindo gritos e salmos e praguejamentos o que só pioraria minha situação. Ela já havia dado seu veredicto e pelo andar da carruagem, nada mudaria isso na cabecinha dela.

Pois bem, inseri a senhora no meu cotidiano. Nos encontramos praticamente todos os dias. E todos os dias tomo com a Bíblia no ombro. Alguns passageiros que também são frequentes no mesmo horário parecem esperar este momento. O momento que eu entro e tomo a praguejada. De uma maneira bem boba este acontecimento diverte a manhã deles. Já faz mais de um ano que isso acontece! Com uma única diferença da primeira vez: hoje, ela não fala mais a frase! Quando passo ela me bate com a Bíblia e sorri de canto de boca, um sorriso irônico, como se me dissesse com os olhos "Você sabe o que isso significa". As palavras ficam só entre eu e ela. Respondo o ato com um "bom dia". Ela segue em sua pregação e eu sigo na minha rotina. O significado disso tudo? Um dia Ele vem e me conta...um dia quem sabe.





















quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Tempo.

o tempo

Como pessoa ansiosa e impaciente que sou, o Tempo sempre foi algo com que batesse de frente. Para mim, as coisas tem que ser resolvidas logo, rápido, não importa se mal resolvidas, mas que sejam solucionadas de uma vez. Nada deste negócio de ir dormir pensando em problema ou algo que gostaria de ter dito e não disse, ou coisas empurradas para amanhã. Num resumo rústico, sempre resolvi as coisas no olho do furacão, afinal, quem é este tal de Tempo para me dizer o que tenho que fazer ou não da vida? Acontece que existem coisas que não conseguimos solucionar rápido, nem do jeito porco! Existem coisas que temos que esperar, não tem jeito. E isso, para mim, é o símbolo da morte! Sem exagero, por que se tem uma coisa que detesto nesta vida é esperar. Na minha cabeça, esperar é perder Tempo!

Meu pai, quando me via numa aflição danada para resolver as coisas do meu jeito, colocava o dedo em riste e dizia: "Menina, o Tempo dá, o Tempo tira, o Tempo passa e a folha vira". Isso me deixava descaralhada da cabeça e ele, percebendo a dúvida, emendava: "Coloque nas mãos do Tempo, Ele tudo sabe, Ele tudo resolve". Estas frases dele eram seguidas de um ataque meu, sempre com a mesma ladainha: Aaaahhhh que fácil, né? Mas daí tenho que esperar! E preciso resolver até semana que vem! Como vou fazer isso? Não estou enxergando saída! Logo chega o dia e não sei o que fazer! blá blá blá...esbraveja...esbraveja...blá blá blá....e no final eu ouvia um "Ah, vai a merda vai. Não quer entender não entenda. Não sabe conversar." dava as costas e saía. (Se não conhecem meu pai ainda, leiam "O Rei dos Rústicos"...vocês entenderão). E assim fui indo a vida toda, resolvendo as coisas do jeito que achava que devia, do jeito que achava que me favorecia e, mesmo não favorecendo, que se resolvesse e saísse da minha frente. Não queria pensar. Não queria esperar. Não queria perder Tempo.

E de ventania em ventania eu fui. Perdi coisas que talvez não tivesse perdido se esperasse e que hoje me fazem falta. Remendei outras coisas de qualquer jeito, fazendo com que elas se tornassem frágeis demais para suportar o peso das minhas necessidades. Eu ventei e vivi, atropelando tudo o que era para a semana seguinte, o mês seguinte, o ano seguinte. Eu sempre atropelei o Tempo...até que ele me barrou. Por que alicerces frágeis não suportam prédios, e foi isso que contruí a vida toda, alicerces frágeis. Coisas que meu próprio vento derrubava. Coisas que não resistiam ao Tempo.

Foi quando me vi, com 40 anos, filho, contas, encargos, vida! E alicerces fraquinhos para sustentar. Estava colhendo alí os frutos da minha pressa. Neste dia, sentei no chão do quintal e chorei. Chorei pacas e quando já estava cansada de chorar, meu pai veio em minha direção e disse (com o dedo em riste, claro!): "Menina, tudo nesta vida depende do bom uso do Tempo. É sabendo administrar isso que muitas coisas se  modificam ou podemos modificar.  O Tempo é o início e o fim de tudo. Ele é o livre-arbítrio do caminho a seguir. Você está colhendo o que semeou, não importa em que tempo ou quando, mas aprenda uma coisa, Ele é imperturbável em sua cobrança."  A novela do meu blá blá blá nervoso já ia se iniciar, afinal veio aqui me ajudar ou acabar comigo?, quando ele me cortou continuando: Está vendo a árvore do jardim que você tanto cuida? Ela é o ciclo vital. O símbolo da paciência, do aprendizado constante e sem fim, da persistência. Está alí, há anos...no sol, na chuva, nas tempestades, na seca...mas está alí, firme. Por que ela é a conformação do que tem que passar. Ela sabe que tem que esperar para florescer. Este é o presente que o Tempo dá a ela.". E saiu.

Fiquei olhando a árvore um tempão e finalmente entendi o que ele tanto queria me dizer. Não adianta querer enganar o Tempo. Ele é uma infinita e generosa oferta, diária! Nós que temos pressa, nós que abreviamos ou empurramos as coisas por medo de enfrentar. Pensamos na semana seguinte, no mês seguinte, no ano seguinte, na velhice e esquecemos do agora. Mas Ele não esquece não. Está alí, diariamente, nos dando a oportunidade de viver e corrigir nossos atos. Sim! Corrigir! Por que precisamos abrir espaço para receber dons. Precisamos perder as flores para receber os frutos. Precisamos não enxergar o Tempo como nosso inimigo implacável, mas como nosso amigo mais fiel. Todo santo dia! Aprendi que não é o Tempo que resolve as coisas, mas ele nos ensina a lidar com elas, da melhor maneira possível, contando que saibamos lidar com Ele. E esperar!

Converso todos os dias com a linda árvore do jardim de casa e com ela tento aprender a respeitar Àquele que tudo rege. Peço equilíbrio para superar as dificuldades que semeei até agora. Peço que eu aprenda a viver um dia por vez. Peço que nunca mais deixe que Ele passe em vão. E sabem de uma coisa? Já ganhei um presente Dele! Mesmo ainda tendo nossas rusgas! Ganhei mais tempo para me superar. Ganhei o grande entendimento que minha luta nunca foi contra Ele, mas contra mim mesma.

Decidi ser amiga do Tempo. E que assim seja.



Para que não leu, tá aí o link para o Rei dos Rústicos:
http://rusticrules.blogspot.com.br/2015/09/o-rei-dos-rusticos.html

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Princesa dos Rústicos.

a princesa dos rusticos

Já contei a vocês que se os Rústicos vivessem em Monarquia teríamos um Rei, então nada nos impede de ter uma princesa também! Mas como alguém com apelidos como "Dedé do papai" e "Nenêm" pode ser considerada rústica? E uma rústica pode ser considerada princesa? Pode! Por que rustiquez está no sangue, assim como o principado! Seu nome é Vanessa Jacob, a caçula da linhagem do gene de quem tem fogo nas ventas! E hoje conto um pouco dela para vocês.

A bem da verdade, acho que ela nasceu só para ser princesa. Quis a vida que ela fosse a criança temporão. A sexta criança do Rei dos Rústicos com a Flor mais linda do meu jardim! Pensa numa criatura esperada? Minha mãe já havia perdido três bebês logo após o nascimento do meu irmão, e mesmo com as complicações de saúde e tudo mais, o sonho da mesa grande e cheia de filhos continuava. Depois de um tratamento que para a época era um super avanço e uma cesária (acho este assunto de "tipos de parto" um pé no saco, aliás), nasceu uma menina cabeluda...mas muito cabeluda. De uma pele branquinha que parecia neve!  A pessoa tinha os olhos cinzas! Meus pais, naquele trauma de perder as crianças nem roupa haviam comprado para ela! Mas bastou ouvir o choro na maternidade para minha tia sair e comprar tudo o que ela tinha direito! Foi aí que começou o principado!

Eram mutos babados, laços, xales, vestidinhos e tudo mais. Um mundo de bonecas, ursinhos e tudo que terminasse com "inho" nesta vida! Nem meu pai, o próprio Rei da coisa, a tratava com rustiquez! Mas, quis a vida também que ela fosse irmã do Curupira que aqui vos fala (e que não nasceu para ser princesa) e do Gigante Guerreiro! Na época eu tinha 6 anos e meu irmão 5, já fazíamos torta de barro na horta, subíamos na goiabeira, escorregávamos de barriga no chão da cozinha e tudo mais que não deveríamos fazer e que nos rendia o dito tamanco Melissa de salto quadriculado voando pela casa. E é claro que dois rustiquinhos não perdoariam tanta princesice assim! A partir daí, a "Dedé do papai" viveu num mundo onde ela era a filha do carteiro! A gente tinha a pachorra de esperar na janela o carteiro passar só para chamá-la e dizer "olha seu pai aí, Van", o que rendia horas de choro e o chinelinho voando pela casa. Crianças sabem ser cruéis quando querem! E nós sabíamos ser com ela! Isso aliado ao fato de viver grudada na gente, era mel na sopa! Não importava quantas bonecas a gente estragasse, quantas chupetas jogássemos pela janela do banheiro, quantas mil vezes falássemos que era ela filha do carteiro...ela sempre estava alí esperando qual seria a próxima.

E entre todas as próximas que houveram,  ela cresceu, estudou trabalhou mas sempre com um sonho alí guardadinho. A Princesa dos Rústicos nasceu para casar, para constituir uma família, para ser cuidada e amada, O que é muito o inverso do que eu sonho, sabem? Mas na vida a gente também aprende que as diferenças podem virar soma. E foi isso o que aconteceu conosco. Entre as idas e vindas das jogadas do coração, fomos morar juntas. Dois seres opostos dividindo a mesma casa E foi assim que descobri que de rústica ela não tinha nada! Apesar da boca dura, apesar de todas as batalhas, alí tinha um coração molinho esperando para ser amado. A rustiquez é uma casca! Casca que encobre o choro fácil e, principalmente, a busca pelo amor! Não é fácil assumir estas coisas na vida, né? Não é fácil assumir que somos frágeis sim! E muito! Não é fácil deixar com que os outros nos atinjam tão diretamente. Não é fácil amar e ser amado. Mas isso era tudo o que ela queria.

Sendo assim, construiu uma torrezinha cascuda para abrigar aquilo que mais tinha de precioso: o tal coração. Como se, na história, ela fosse a madrasta de sí mesma. E alí o deixou. Protegido das pessoas que quisessem atingi-lo de alguma forma. Às vezes deixava com que saísse para passear, mas em qualquer sinal de perigo, lá estava trancadinho, novamente, o pobre!

Anos se passaram. Como dizem por aí, toda historia de princesa tem um final feliz! Mas a desta aqui não teve um final. Teve um recomeço! O príncipe apareceu e tirou o coração da torre. Um príncipe sem cavalo branco, sem reino, mas com a mesma vontade de amar e ser amado que ela tinha. Hoje, a Princesa dos Rústicos tem o amor e a família que tanto sonhava. Moram num castelo que construíram juntos. Se foram felizes para sempre? Costumo dizer que "sempre" é tempo demais. Então, prefiro dizer que "são felizes". Que ela é feliz! E é isso que me basta.

Se os Rústicos vivessem em monarquia ela seria a princesa. Por que ela é princesa no coração. A princesa de frágil coração.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Um elefante entre os cristais.

um elefante entre os cristais


Há quem diga que ser rústico é fácil, afinal, são seres que andam pelo mundo falando tudo o que vem a cabeça, doa a quem doer. Mas vou contar a vocês que isso é uma enorme mentira. A melhor definição que já encontrei para pessoas como nós é exatamente a que dá título a este texto: um elefante entre os cristais!

Para começo de conversa, preciso explicar que existe uma enorme diferença entre ser rústico e ser grosseiro! O grosseiro é aquele cara que fala o que pensa te ofendendo. O rústico não, ele consegue se expressar sem ofender. Claro que a gente só descobre como fazer isso na fase adulta, por que, quando adolescentes não passamos de meros desbocados magoadores de corações. É uma coisa que precisa de ajuste, sabe? Precisa de cuidado. Precisa de zelo para não quebrar os cristais que estão a nossa volta. E é assim que fazemos todo santo dia.

Infelizmente, a maioria das pessoas gosta de ser ouvida, mas não de ouvir. Querem uma enorme orelha e um ombro maior ainda para apoiar suas insatisfações, mas não querem ser contrariadas em seus ideais. O duro é que quando a pessoa chega até você com uma história não vem junto a informação: "quero apenas ser ouvida" ou "independente do que eu falar, quero que concorde comigo". Eu, por exemplo, assim que alguém me pede um conselho ou diz que precisa me contar algo, já começo a suar nas dobrinhas! O que fazer quando acabar a história? Será que ela quer realmente saber o que eu acho? Devo só concordar? Apenas balanço a cabeça em sinal de aprovação? Por que Deus não me leva agora assim não preciso fazer nada? Como lidar com isso?

Já perdi as contas de quantas vezes emiti minha opinião sincera achando que era isso que o ser humano queria e me fodi. O rosto da pessoa já se transforma em um enorme bico, os olhos lacrimejam e pronto! Danou-se tudo! O rústico vendo esta transformação já suspira fundo e pensa: por que não simplesmente concordei? Mas concordar e ver a pessoa se estrepar? Concordar e ir contra nossas próprias verdades? Concordar e se aquilo der errado você ser acusado de ter ajudado na decisão? Não sei o que é pior. Por que sim, se der errado, você será cobrado. E o bico será o mesmo. Então será que tanto faz?

Nunca que tanto faz! Se você não quer a opinião de alguém, não pergunte! Faça do seu jeito. Se você quer falar com pessoas que só concordem com você, converse com o espelho! Pronto! Assim nunca será contrariado em seus ideias. Ou arrume um belo puxa-saco! Mas não pergunte a opinião de um rústico, por que ele vai te falar! Pode até ser com jeitinho, mas que vai, vai!

Em compensação, o rústico expressa seus sentimentos na mesma proporção. A gente não tem medo não! Quando a gente gosta, fala! Quando a gente ama, fala também! Quando não gosta, idem! Por que guardar faz mal! Para o corpo e para a alma! Por que deixar as coisas cozinhando dentro da gente, mesmo os sentimentos mais lindos, é um dos piores erros que podemos cometer. Vira doença. Você começa a juntar lixo tanto dentro quanto fora. E quando um rústico guarda muito as coisas, ele passa de "elefante entre os cristais" para "elefante enraivecido mata 15 pessoas". E não é bem este o caminho, né?

Eu, por exemplo, já faz algum tempo que larguei mão do que não me agrega, do que não contribui, daquilo que dói, daquilo que não deixa que eu me expresse. Se não está bom? Para que? Se não faz bem, segue seu caminho. Se não quer ouvir? Não pergunte. Não cobre sinceridade se não aguenta o tranco. Não cobre amor se não sabe dar. Aprendi que posso ser um elefante sim, mas se caminho ao seu lado com cautela é por que, para mim, você é um cristal. Por que de copo de requeijão guardado dentro e fora dos armários, o mundo está cheio. Cabe a você escolher qual prefere ser.