quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Meu doce gigante.


meu tsunas

Muitos o conhecem como Tsunas, que vem de Tsunami, que é o que ele é. Nada onde passa fica inteiro, ou em pé ou, ao menos, um pouco abalado. Quando ele não derruba, ele esbarra...quando não esbarra...derruba. Quando está direito, entorta...quando está torto...entorta mais ainda. Seu nome é Giancarlo Jacob Peres Rodrigues, tem 11 anos e é meu filho. Meu doce gigante!

O Gica tem 1,63 m de altura, pesa 60 kg e calça 41. O que faz com que ele seja enorme perto das outras crianças de sua idade. No início ele sofria com o dito "bullying" na escola, por que parece um menino de 15 anos numa classe de crianças de 11. E sofreu pacas com isso. Chegava em casa reclamando que não tinha amigos, que não gostava da escola, que não queria ir mais. Até que aprendeu a vantagem de ser grande que é: ser grande! A partir daí uma sucessão de brigas na lanchonete envolvendo inclusive as mesas (que nem aquelas de bar, sacam?), crianças chorando na secretaria com o nariz sangrando. Minha presença passou a ser mensal na escola, muitas vezes quinzenal.

Não é de se estranhar esta mudança de comportamento. O Giancarlo vem de uma geração de Rústicos. Ninguém nesta família leva desaforo para casa. Ninguém. E eu, na minha função de mãe, ao comparecer ao colégio por conta das brigas, defendi o que era meu! Afinal, todas as vezes que meu filho teve esta reação, foi por que alguém provocou. A história sempre começa da mesma forma: "Então Senhora Rita, fulano chamou o Giancarlo de gordo e na terceira vez ele reagiu de forma agressiva"... então por que a mãe do fulano não está aqui também? terceira vez? Agredir com palavras na maioria das vezes dói muito mais que um soco bem dado. E paciência tem limite!

Mas o ponto desta história toda é que comecei a perceber que ele não gostava disso. Ele nunca se vangloriou de nenhuma briga, Nunca contou como uma aventura, muito pelo contrário, evita falar disso. Eu percebi que os socos que ele dava doíam muito mais nele do que no outro. Eu percebi que o meu Tsunas não era um Rústico!

O Giancarlo, de todas as pessoas que poderia ter puxado nesta vida, foi puxar a única que não carregava o gene da Rustiquez: minha mãe! Ele ensinou meu pai, um descendente de sírios machista pacas, que tudo bem se ele chegasse da escola e desse um beijo no avô dele, mesmo sendo homem. No começo o avô reclamava dizendo que homem não beijava outro homem. Mas ele insistiu dizendo que era o avô dele então não tinha problema. No final, meu pai esperava este momento e sorria depois do beijo. Ele tenta agradar a todos do jeito dele, mesmo que as pessoas não lhe deem atenção, ele continua tentando. E não se liga muito nesta coisa de atenção não. Se ele acha que agradou, para ele está bom. Brinca com minhas sobrinhas pequenas com a maior paciência do mundo e as meninas são loucas por ele. As brigas são só a maneira que ele achou de se defender de alguma forma. Se defender das palavras ruins, já que ele não consegue agredir as pessoas com elas, usou seu tamanho para intimidar.

Meu Tsunas é um nerd feliz. Que gosta de animes, Marvel e DC (sim gente, é possível gostar dos dois!), mangás, faz aula de robótica, xadrez e cubo mágico. Não gosta de esportes, assiste TV enquanto monta um quebra-cabeça e joga no tablet conversando com os amigos. Hiperativo, roqueiro, inteligente pacas e dono de um coração maior que o tamanhão dele.

Se eu gostaria que ele fosse um rústico? Não. Apesar de ser uma rústica assumida, eu acho que o mundo é e sempre será dos bons de coração. E tenho muito orgulho da vida ter me dado um ser assim para cuidar. A vida me deu um gigante. Que maior que suas atitudes e o seu tamanho é o seu amor. A vida me deu um gigante. Um doce gigante.

PS: as brigas cessaram um pouco...ou a intimidação funcionou ou acabaram as mesas da lanchonete.

Se gostou, dá um like na fanpage para conhecer mais histórias como esta!
https://www.facebook.com/rusticrules2