terça-feira, 6 de outubro de 2015
A Princesa dos Rústicos.
Já contei a vocês que se os Rústicos vivessem em Monarquia teríamos um Rei, então nada nos impede de ter uma princesa também! Mas como alguém com apelidos como "Dedé do papai" e "Nenêm" pode ser considerada rústica? E uma rústica pode ser considerada princesa? Pode! Por que rustiquez está no sangue, assim como o principado! Seu nome é Vanessa Jacob, a caçula da linhagem do gene de quem tem fogo nas ventas! E hoje conto um pouco dela para vocês.
A bem da verdade, acho que ela nasceu só para ser princesa. Quis a vida que ela fosse a criança temporão. A sexta criança do Rei dos Rústicos com a Flor mais linda do meu jardim! Pensa numa criatura esperada? Minha mãe já havia perdido três bebês logo após o nascimento do meu irmão, e mesmo com as complicações de saúde e tudo mais, o sonho da mesa grande e cheia de filhos continuava. Depois de um tratamento que para a época era um super avanço e uma cesária (acho este assunto de "tipos de parto" um pé no saco, aliás), nasceu uma menina cabeluda...mas muito cabeluda. De uma pele branquinha que parecia neve! A pessoa tinha os olhos cinzas! Meus pais, naquele trauma de perder as crianças nem roupa haviam comprado para ela! Mas bastou ouvir o choro na maternidade para minha tia sair e comprar tudo o que ela tinha direito! Foi aí que começou o principado!
Eram mutos babados, laços, xales, vestidinhos e tudo mais. Um mundo de bonecas, ursinhos e tudo que terminasse com "inho" nesta vida! Nem meu pai, o próprio Rei da coisa, a tratava com rustiquez! Mas, quis a vida também que ela fosse irmã do Curupira que aqui vos fala (e que não nasceu para ser princesa) e do Gigante Guerreiro! Na época eu tinha 6 anos e meu irmão 5, já fazíamos torta de barro na horta, subíamos na goiabeira, escorregávamos de barriga no chão da cozinha e tudo mais que não deveríamos fazer e que nos rendia o dito tamanco Melissa de salto quadriculado voando pela casa. E é claro que dois rustiquinhos não perdoariam tanta princesice assim! A partir daí, a "Dedé do papai" viveu num mundo onde ela era a filha do carteiro! A gente tinha a pachorra de esperar na janela o carteiro passar só para chamá-la e dizer "olha seu pai aí, Van", o que rendia horas de choro e o chinelinho voando pela casa. Crianças sabem ser cruéis quando querem! E nós sabíamos ser com ela! Isso aliado ao fato de viver grudada na gente, era mel na sopa! Não importava quantas bonecas a gente estragasse, quantas chupetas jogássemos pela janela do banheiro, quantas mil vezes falássemos que era ela filha do carteiro...ela sempre estava alí esperando qual seria a próxima.
E entre todas as próximas que houveram, ela cresceu, estudou trabalhou mas sempre com um sonho alí guardadinho. A Princesa dos Rústicos nasceu para casar, para constituir uma família, para ser cuidada e amada, O que é muito o inverso do que eu sonho, sabem? Mas na vida a gente também aprende que as diferenças podem virar soma. E foi isso o que aconteceu conosco. Entre as idas e vindas das jogadas do coração, fomos morar juntas. Dois seres opostos dividindo a mesma casa E foi assim que descobri que de rústica ela não tinha nada! Apesar da boca dura, apesar de todas as batalhas, alí tinha um coração molinho esperando para ser amado. A rustiquez é uma casca! Casca que encobre o choro fácil e, principalmente, a busca pelo amor! Não é fácil assumir estas coisas na vida, né? Não é fácil assumir que somos frágeis sim! E muito! Não é fácil deixar com que os outros nos atinjam tão diretamente. Não é fácil amar e ser amado. Mas isso era tudo o que ela queria.
Sendo assim, construiu uma torrezinha cascuda para abrigar aquilo que mais tinha de precioso: o tal coração. Como se, na história, ela fosse a madrasta de sí mesma. E alí o deixou. Protegido das pessoas que quisessem atingi-lo de alguma forma. Às vezes deixava com que saísse para passear, mas em qualquer sinal de perigo, lá estava trancadinho, novamente, o pobre!
Anos se passaram. Como dizem por aí, toda historia de princesa tem um final feliz! Mas a desta aqui não teve um final. Teve um recomeço! O príncipe apareceu e tirou o coração da torre. Um príncipe sem cavalo branco, sem reino, mas com a mesma vontade de amar e ser amado que ela tinha. Hoje, a Princesa dos Rústicos tem o amor e a família que tanto sonhava. Moram num castelo que construíram juntos. Se foram felizes para sempre? Costumo dizer que "sempre" é tempo demais. Então, prefiro dizer que "são felizes". Que ela é feliz! E é isso que me basta.
Se os Rústicos vivessem em monarquia ela seria a princesa. Por que ela é princesa no coração. A princesa de frágil coração.
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