terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Reflexos de um ano Rústico.

Reflexos de um ano rústico


Outro dia, em um post na minha página pessoal no FB disse com todas as letras que o ano de 2015 tinha sido o pior da minha vida. Depois, fiquei pensando que em muitos pontos estava sendo injusta com o todo da coisa. Foi um ano difícil, rústico em toda sua grandeza, mas seria errado dizer que todos os 365 dias foram ruins. Que todos estes dias me deram o seu pior. Em muitos deles, eu fui feliz.

Neste monte de pensamentos imaginei 2015 como um grande espelho velho onde o metal polido que provoca o reflexo em muitos lugares já se perdeu. Nele não consigo ver todo o meu rosto, mas isso me possibilitou prestar mais atenção as partes do que ao todo. Partes que não me importavam tanto antes, partes que frente ao conjunto pareciam insignificantes, mas que fizeram toda a diferença em meio ao caos. Este dito caos o tempo corroeu, são as partes de mim que não enxergo mais, são todas as tentativas de tudo que fiz neste ano e que não deram certo, todas as minhas perdas (as grandes perdas!) e por que não dizer meus fracassos? Sim, por que a gente erra, fracassa e, como adoradores de novela mexicana que somos, ficamos só remoendo isso. Viramos um feio disco riscado que encasqueta a agulha na fenda e fica repetindo a mesma ladainha. Dias e dias...anos e anos...

Ao enxergar os reflexos ainda intactos, percebi que ganhei muito! Que cresci! E o mais bacana é que cresci e ganhei em espírito! Em alma! Vejam vocês como a vida é! O olhar julgador se foi, deve estar numa das partes corroídas, junto com meu ego e o orgulho. Em contrapartida vejo a fé. Fé em um Deus que não castra, não puni, que respeita o livre arbítrio e que ama seus filhos. Junto com ela descobri uma vontade enorme de ajudar e de seguir no caminho do amor. Aaaahhh o amor!! Ele é meu sentimento de estimação, caso vocês não saibam! Acredito de verdade que ele tudo pode e é ele que mora em todos os pedaços de reflexo do rosto que ainda vejo!

Amor por todas as flores que este ano me deu, amor pelas sete crianças lindas que a vida colocou no meu caminho, amor pelos momentos em que pude me reconciliar com meus pais, amor pela redescoberta dos meus irmãos, amor pela família, amor pelo dono do meu coração, amor por todos os amigos que tenho, amor por ter coragem de agir e não ficar prostrada chorando minhas mágoas. Amor por amor! E a isso tudo eu agradeço!

Me olho hoje num espelho corroído onde o todo pode não parecer tão bonito assim! Mas ele me mostra que o caminho é só nosso. Que o tempo que perdemos em culpar pessoas, um Deus, um ano ou a vida pelos nossos atos e tristezas é perdido. Que guardar mágoa é nossa ruína, que olhar com desdém só nos leva para trás. Que esticar a mão é muito mais fácil que dar as costas. Que o que foi não tem mais volta, não importa o que se faça. Importa sim, o que fazer com o que ficou! 2015 me ensinou a amar.

Se quero um espelho novo para 2016? Não. Vou carregar este comigo na bagagem. Junto a ele mais um monte de planos e metas, Um bando de vontades e quereres. Vamos ver o que ele me mostra no final do percurso! Este velho espelho mostrou quem realmente sou. E isso não se deixa para trás.



Um lindo ano a todos vocês que leram meus devaneios até aqui! Conheci muita gente boa de coração através do blog. Fiquei muito feliz com cada comentário e fiquei mais feliz ainda por ter conseguido compartilhar minhas histórias com vocês e ter podido, de uma maneira ou de outra, ajudar um pouco! Que 2016 seja um ano de amor para todos! E que assim seja!













quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Orgulho e suas amarras.

O Orgulho


Imagina se eu começasse este texto dizendo que tenho orgulho de ter abandonado o orgulho há muitos anos atrás? Poderia parecer esquisito, né? Mas, na verdade, não é. Este rapagão aí de cima é a minha representação deste sentimento. E na boca de muita gente ele é o pai de todos os grandes males. É ele o responsável pela reação em cadeia de todos os nossos defeitos. É por ele que discutimos, que ficamos presos em situações que não nos beneficiam mais, é por ele que não conseguimos perdoar.

A grande sacada deste cara é que ele não nasce com a alcunha de Orgulho. Quando bebê, ele se chama Amor-próprio! E o amor-próprio é uma das coisas mais necessárias desta vida! Devemos amar a nós mesmos, por que só assim conseguimos amar aos outros. O que acontece com o passar do tempo é que nós deixamos de nos amar, deixamos de cuidar de nós mesmos para querer que outros cuidem. Nos tornarmos monstros competitivos, em todos os sentidos, que não aceitam perder! Nunca! E é neste momento que aquele sentimento tão necessário na vida da gente se transforma no bonitão que ilustra este texto! O Orgulho nada mais é que o exagero de amor-próprio!

"Ah, mas você disse, no início, que se orgulhava te ter abandonado o orgulho". Disse sim, por que existe o orgulho bom e o orgulho ruim! E isso não é uma desculpa para este sentimento! Por exemplo: Podemos sim nos orgulhar das conquistas de nossos filhos, marido, esposa, namorado(a), amigos! Este é o orgulho bom! Saudável! Mas, a partir do momento, que achamos que nossos filhos, marido, esposa, namorado(a), amigos são melhores do que o dos outros a coisa muda de figura. O lance todo é medir a intensidade deste sentimento! Fazendo com que ele seja bom ou ruim.

A meu ver, a grande manifestação do orgulho nos dias de hoje está em não saber perder. Neste momento que surgem as ditas das amarras! O Orgulho nada mais é que um tirano, que manda e desmanda ao seu bel-prazer. Como disse acima, não queremos perder nada para ninguém! Não queremos que a pessoa passe na nossa frente na escada rolante, não queremos perder a promoção da empresa, queremos ser as mais bonitas da festa, não queremos perder o namorado, não queremos nem perder jogo de palito de fósforo! Claro que é sempre bom querer mais e melhor, mas fazemos isso aniquilando quem está em volta! Nunca nos perguntamos antes de qualquer atitude: "Faz diferença que eu vá na frente desta pessoa na escada rolante?", "Esta promoção é o que quero para meu futuro?", "Muda algo se eu for a mais bonita da festa?", "Ainda amo meu namorado ou isso é só posse?". Ao invés disso saímos com o gorilão por aí massacrando a tudo e todos, por que o Orgulho não fere só a nós mesmos! Ele também fere quem está a nossa volta! Fere, injuria, desgasta e mais um monte de nominhos feios como estes.

E sabem por que é tão difícil aceitar as perdas? Por que na maioria das vezes perdemos para nós mesmos! Por que ao aceitá-las temos que encarar juntos nossas limitações, nossos defeitos, nossas fraquezas e nossa incompetência. Por que se pararmos para analisar o por que delas, teremos que olhar para dentro de nós mesmos. E nada machuca mais o rapagão aí do que olhar para dentro de sí mesmo. A matemática é bem simples: quando você se vasculha por dentro, acha montes de tranqueiras que o orgulho não assume como sendo suas! Por ele nós nos achamos muito maiores e melhores do que realmente somos.

A boa notícia é que existe receita para que ele volte a ser o lindo e necessário amor-próprio!! Basta que a gente aceite perder de vez em quando, que a gente se aceite, que a gente se questione, que a gente entenda que somos especiais sim! Que a gente viva! Viva a nossa vida! Deixe a dos outros para lá! Cada qual sabe de suas escolhas e deve arcar com elas. Mas sem massacrar o outro. Arque sozinho. Na vida ninguém muda: ou se evolui ou se estagna. Minha escolha foi evoluir! E a de vocês, qual será?

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Curta Rústico da Semana - Border




Um curta muito curto mesmo, dirigido e escrito por Reinout Swinnen e Bram Van Rompaey.
Duas pessoas se encontram em uma das linhas imaginárias criadas por nós ditos "seres humanos" chamadas, carinhosamente, de fronteiras. Mas elas tem reações muito diferentes quanto a isso. 1:08 que valem a pena para refletir o momento que estamos vivendo. Talvez a pergunta seja: quem sabe se reagíssemos diferente, né?

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Ansiedade e suas sofrências.

ansiedade


Este cara aí de cima é um companheiro que tenho há muitos anos. O bicho é tão chique que tem nome e sobrenome: Transtorno da Ansiedade Generalizada. Mas eu o apelidei de "Sofrência", por que é exatamente isso que ele proporciona. Não o subestimem! Apesar da cara de sonso, ele é capaz de muita coisa, viu? E nenhuma delas é agradável...nunca!

Pode parecer uma grande bobagem a primeira vista, mas o TAG é considerado uma doença! Catalogada e tudo mais. Ele vai além de se sentir ansioso por ter uma excursão na escola, uma festa ou uma entrevista de emprego. Nestes casos, a ansiedade serve como um sinal que vai te preparar para enfrentar o desafio e, mesmo que não consiga, te prepara, também, para superar isso. Em se tratando do verdinho aí...a história é bem outra.

Costumo dizer que ele é o estopim do caos. A fagulha que não deveria nunca ser acesa. Sabem aqueles incêndios que acontecem em florestas por conta de uma bituca de cigarro e perdem o controle devastando quilômetros e quilômetros? É exatamente esta a sensação que quem sofre deste mal tem. Tudo começa com um pensamentinho ou uma situação. Algo bem bobo, pode ser qualquer coisa: um atraso, alguém demorando no caixa quando você tem pressa, trânsito, esperar um telefonema, qualquer coisa. Precisa só de um acontecimento e pronto! Lá está ele assoprando no seu ouvido: "mas por que tanta demora?", "Ele não sabe mexer no caixa?", "Será que aconteceu alguma coisa?" , "Não está vendo que tem gente esperando?"...e a coisa piora...e cresce em proporções de chegar a sentir raiva do fato ou pessoa que desencadeou a reação! Os níveis de ansiedade das pessoas com TAG, sempre são desproporcionais aos acontecimentos geradores do transtorno. Sempre.

Eu tenho TAG. E demorei anos para descobrir que sofria deste mal. Pode parecer uma justificativa para o famoso "pavio curto" mas, infelizmente, não é. Sou inquieta, tenho dificuldade de concentração em muitas coisas, meu maxilar chega a doer de tanto que tenciono, meu sono é horrível, meu cérebro não para um instante, já cheguei a ter taquicardia e vômito em crises muito grandes. E olha que estes são só os sintomas físicos! O reflexo maior disso tudo é social. Relacionamentos são terminados em ataques infundados, discussões desnecessárias, sentir raiva de pessoas sem ao menos conhece-las ou saber suas verdades. O negócio vai tão longe que a situação não precisa acontecer comigo. Se vejo algo acontecendo com outra pessoa, sinto por ela!! As pessoas que sofrem deste distúrbio se tornam anti sociais natos. Lugares muito cheios me incomodam, aglomerados de gente andando na calçada me incomodam! (Imaginem como sou no ônibus....). Não consigo andar no shopping e apreciar uma vitrine!! Mesmo passeando, ando como se tivesse que tirar o pai da forca!

Dizer a palavra "distúrbio" pode parecer uma coisa horrível, mas é o primeiro passo para se lidar com o problema. Por que isso é um problema! Um problema MEU! O cara que demora no caixa, a pessoa que atrasou o telefonema, as pessoas que passeiam na calçada não tem culpa (lembrando que não estamos falando da "falta de educação" dos outros...como por exemplo andar em zigue zague na calçada...por que né? isso não dá para encarar). Na verdade nem eu tenho. Mas é uma obrigação minha aprender a controla-lo. Por que, apesar do caos todo, tenho plena consciência que estou exagerando. O difícil é controlar.

Foi assim que criei o rapaz que ilustra este post. Personificar as coisas é um jeito meu de lidar com elas. Hoje estamos aprendendo a caminhar juntos. Sim, caminhar! Por que descobri que esta é uma das maneiras que tenho de apaziguar a sofrência toda. Quando percebo que uma crise pode se iniciar, eu ando. E ando pacas. Pode ser em qualquer hora. Levanto e ando até passar. Gosto de imaginar que ele vai sentadinho no meu ombro e que o vento que balança seus pelos faz com que se acalme e fique quieto. Talvez ele seja só um monstrinho que goste de vento! Por que não?

O importante é assumir que este monstro é meu. Que quem tem que lidar com ele sou eu. Nesta empreitada já andamos muito e sei que andaremos muito mais. Perdi a vergonha de assumir que carrego ele nos ombros. Entendi que ninguém tem nada a ver com isso, a não ser eu e ele. Nas nossas andanças, aprendemos a substituir um pensamento ruim por dois bons. Com isso, o mundo tem ficado mais leve. E ele também! O monstrinho verde que carinhosamente chamo de sofrência. Que gosta de sentir o vento balançando seus pelos e que, quem sabe um dia, mudará de nome. Quem sabe um dia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Guerreiro Amigo.

o guerreiro amigo

Era uma vez um jovem guerreiro famoso por seu tamanho e invenciblidade. E a história seguiria muito bem assim se, além de jovem guerreiro, ele não fosse meu maior companheiro de aventuras. E poderia seguir também por este lado se, além de jovem guerreiro e companheiro de aventuras, ele não fosse meu irmão!

Quando falo em companheiro de aventuras, digo as melhores aventuras de nossas vidas. Aquelas de nossa infância, onde podemos ser tudo o que quisermos e ainda mais! Nossa diferença de idade é muito pouca, sou de abril de 74 ele de junho de 75. Crescemos juntos. Tão juntos que o chinelinho Melissa de salto quadriculado da Dona Neusa, que voava pela casa quando aprontávamos, chegava a pegar nos dois! Posso dizer, tranquilamente, que atribuo a ele o fato de não ter sangue de princesa correndo nestas minhas veias! Nossas brincadeiras eram muito mais bacanas que chatos principados!

Se eu fechar os olhos agora consigo ver a linda barraca que montamos em nossa quarto! Foram tantas tentativas de ter a barraca perfeita! Dias e dias a fio! Até que num dia cheio de determinação (e com a porta do quarta fechada longe do olhar de nossa mãe) ela surgiu! Linda como havíamos imaginado! A enceradeira e o cadeirão da princesa dos rústicos seguravam a entrada formando uma varanda. Lençois e cobertores apoiados nos armários cobriam toda sua extensão. Ela era muito mais perfeita do que a imagem que tínhamos em nossas cabecinhas! Pena que a mãe achou que estávamos muito quietos e foi ver o que acontecia...Horas para montar, cinco minutos de olhos brilhando...tivemos que desmontar tudo...e guardar as coisas em seus devidos lugares...Muitas tentativas vieram depois desta, mas não conseguimos mais o mesmo efeito.

Todos os dias eram dias de aventura! O Falcon que descia só com sua sunga plástica pelo varal como se atravessasse toda uma selva, os bolos de barro na horta da nona,  a caça aos tatus-bola onde enchíamos um vidro deles...que depois fedia pior que esgoto! Na casa da nona haviam duas árvores: uma goiabeira e um limoeiro. Um dia o limoeiro amanheceu com um "ferimento" no caule. Rapidamente ganhou um band-aid que era verificado todos os dias, para ver se sarava! Apesar do tempo, tudo é muito fresco na minha memória.

E mais de trinta anos se passaram. Ele cresceu e se tornou um grande homem! Tanto no seu tamanho, quanto no seu caráter e coração! Ele se tornou um guerreiro! Forte, corajoso e cheio de garra, como os guerreiros devem ser. Quando falamos nestes seres que impunham espadas montados em seus majestosos cavalos, sempre imaginamos criaturas solitárias que vagam pela terra a procura de aventuras que saciem seu próprio ego. Seu ego de força e luta. Mas a grande verdade é bem outra. Guerreiros são grandes homens que lutam por amor. Por que acreditam nele. E acreditam que é ele que tudo pode. Com o personagem desta história, isso não foi diferente! Quem olha seu tamanho e marrentice, não imagina o tanto de amor que existe alí.  Digo sem pestanejar que o amor é proporcional a sua altura e porte!

Amor é coisa que vem com o tempo. Amor é coisa que conquistamos depois de travar nossas maiores batalhas contra nós mesmos. Quem de nós gosta de se mostrar frágil perante os outros? Quem de nós gosta de assumir que pode ter sido equivocado em seus atos? Isso tudo tem que ser muito lutado e conquistado no nosso interior. E isso só grandes guerreiros conseguem fazer. É a batalha do "eu contra eu mesmo". Uma batalha de gigantes. Feita para gigantes. Feita para um gigante assim como este cara é.

Não moramos na mesma cidade, não conversamos o tempo todo, mas digo de boca cheia que de solitário, ele não tem nada. Além de forte guerreiro ele é marido, pai, filho, primo, sobrinho, amigo. Quando olho para ele consigo enxergar além. Enxergo o menino de cabelos ruivos que escorregava de barriga comigo no chão da sala quando enchíamos de sabão! Quando olho para ele, enxergo um grande guerreiro. Um gigante. E maior do que tudo isso é o orgulho de dizer que sempre tive um companheiro de aventuras! Das melhores aventuras que se tem na vida! Este meu companheiro é um guerreiro! E este guerreiro é meu irmão.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Curta Rústico da Semana - Appearance and Reality




Já pararam para pensar quais são os limites da cordialidade tida como "politicamente correta"?
Quais são as penas de nos anularmos como seres que sentem? Será que é necessário mesmo mascarar nossas verdadeiras feições e falas para ser aceito? O quanto podemos magoar ou sermos magoados escondendo quem realmente somos?

Aparência e realidade é o assunto deste curta de animação (procurei o autor mas não encontrei, se alguém souber fale nos comentáros!!). Assistam e me contem: vale a pena mesmo engolir nossas emoções a seco? Eu tenho certeza que não.

domingo, 1 de novembro de 2015

Receitas da minha linda Senhora - Biscoito Cigano

biscoito cigano

Quem me conhece sabe que, para mim, comida e amor se misturam perfeitamente! E quando são carregadas de um pouco de mágica então? Não existe nada melhor! Tenho estudado muito a cozinha Cigana. Ela é muito rica em ingredientes e sabores em virtude das viagens deste povo pelo mundo. E um grande problema em ter a receita original é que são tão sagradas para eles, que só podem ser passadas de mãe para filha! São comidas ritualísticas, portanto, muito do que vemos por aí são adaptações das originais.

Esta receita de biscoito, consegui com uma cigana que lê a mão das pessoas em frente a um mercado perto de casa. Se é uma adaptação eu não sei. mas junto com a receita veio a frase " Quando for sovar a massa, coloque todos os seus melhores sentimentos nela...não vai se arrepender!". Como eu acredito em histórias de quem tem fé, fiz e olha...se a mágica vai acontecer eu ainda não sei...mas que o biscoito é uma delícia isso é!

Ingredientes

2 ovos
1 e 1/2 xícaras rasas de farinha de trigo
4 colheres de sopa rasas de maizena
2 colheres de sopa cheias de açúcar
2 colheres de sopa cheias de manteiga
2 colheres de chá rasas de fermento em pó
1 colher de chá de canela
1/2 colher de chá de cardamo
(já fiz com curry, com cravo em pó, frutas cristalizadas...
bom é usar a imaginação)

Mode de fazer

Junte todos os ingredientes e misture até formar uma massa homogênia
e que desgrude das mãos. Hora de sovar com os melhores sentimentos
do mundo! Faça bolinhas, coloque em uma forma untada e amasse com um garfo
(só um pouquinho). Asse por vinte minutos em forno pré-aquecido (ou até que a bordinha
dele esteja dourada!). Mágica feita! É só comer!!

Um lindo início de semana para vocês!




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Curta Rústico da semana - THE EMPLOYMENT




Já pensaram em viver num mundo onde pessoas e objetos são a mesma coisa? Pois eu acho que isso é mais ou menos o que vivemos nos dias de hoje. Pessoas doando todo seu potencial e sendo tratadas como meros "Cumpridores de função". O lado do indivíduo enquanto ser que pensa e tem opiniões não é levado mais em consideração. Por isso, elegi como curta da semana uma animação super inteligente, dirigida pelo cartunista argentino Santiago "bou" Grasso, que mostra um pouco desta triste realidade. Vale a pena investir seis minutinhos e refletir sobre uma das regras mais rústicas de nossas vidas: O Emprego.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A mulher da Bíblia

a mulher da bíblia


Terminal Bandeira, linha 8605-10, 7:30 am. Fones de ouvido no talo, caveira estampada na blusa, o bom e velho All Star, tudo conspirava para que aquele dia fosse mais um dia útil. Casa, trabalho, casa. Mas não seria, por que neste dia entrou em minha vida um dos personagens mais emblemáticos que já conheci: A mulher da Bíblia.

Subi no ônibus, passei a catraca, fiz cara de mal humor para as pessoas acumuladas na porta ao lado do cobrador que atrapalhavam a passagem (e certeza que não iriam descer...certeza...eram só pessoas pensando no seu próprio umbigo!), caminhei até onde deu e me posicionei em um lugar onde não atrapalhasse a passagem e distante das portas. Tocava Godsmack nos fones e eu já ensaiava minha dancinha habitual das manhãs no coletivo, quando tomei uma sacolejada no ombro. Algo havia batido em mim. Virei com cara de poucos amigos e dei de frente com uma mulher segurando uma Bíblia e que gesticulava muito em minha direção. Ela não parecia feliz com o que dizia, mas feras...música boa no fone, sete e meia da manhã...ônibus lotado...não ia deixar de ouvir o som batuta para ver o que a mulher tanto esbravejava. Quieta fiquei e segui meu caminho.

Na manhã seguinte, ao entrar no ônibus, reparei que lá estava a mesma mulher com a Bíblia na mão, em cima de uns degraus, gesticulando e falando muito. Pensei comigo "Ah, são aquelas pessoas que pregam sua fé nos coletivos". Neste dia, o lindo Terminal Bandeira não estava tão lotado. Só que ao procurar um lugar para me posicionar, passei por ela e pláu! Tomei de novo a sacolejada! O que não seria muito bizarro dentro de um ônibus, né? Pessoas em pé, ele em movimento, esbarrões acontecem! Acontecem se eu não tivesse visto que a linda senhora me bateu com a Bíblia! Sim! Com o Livro Sagrado! Já contei a vocês que minha paciência é um lixo e eu lido muito mal com pessoas que tentam "arrebanhar" outras pessoas, sabe? Isso em qualquer coisa, seja política, religião, estilo de vida, alimentação, qualquer coisa. Se você tem, ótimo! Se você faz, excelente! Mas guarde para você e fale caso alguém perguntar. Acho incisivo esta gritação no ônibus ou em qualquer outro lugar público, incomodante, chato pacas. Seja do assunto que for. Resolvi não ligar novamente, por que a coisa não iria prestar e fui adiante.

Pasmem senhores e senhoras...encontrei com a dita mulher a semana toda! E todos os dias ela me batia com o Livro e gesticulava falando algo. Até que me emputeci e tirei os fones ao passar do lado dela e com a Bíblia que batia no meu ombro veio a seguinte frase: "Você não ganhará o Reino dos Céus", seguida de uma cara séria olhando bem dentro dos meus olhos. A mulher tinha dito isso para mim a semana toda! E eu, dentro do meu mundo musical, nem havia ligado. O que seria aquilo? Um julgamento? Uma praga? Por que eu ente todas as pessoas que estavam alí? Quem era ela que tinha todo este poder para decidir uma coisa desta? Olhei para ela com a mesma intensidade, um momento de tensão se formou, até que ela desviou o olhar e continuou proferindo salmos, frases e orações aos restantes.

Nos dias que se passaram, reparei que ela dizia um lindo "Vai com Deus" a alguns passageiros. A outros ela dizia um salmo quando passavam. Percebi que as pessoas acompanhavam a oração que ela fazia. Mas eu, Rita, continuava tomando com a Bíblia e ouvindo a frase praguenta. Para aquela mulher, eu não ganharia nunca o Reino dos Céus. Num destes momentos olho no olho que tivemos, já cansada de nosso relacionamento esquisito, perguntei enquanto ela me mirava: "por quê?"...a resposta foi um sorriso de canto de boca e a frase: "Ele virá e lhe mostrará". Seguindo com a pregação aos demais. Se isso acontecesse nos meus áureos tempos, esta senhora teria engolido o Livro junto com as palavras dela. Sem dó nem piedade. Mas, a gente amadurece e isso é uma dádiva, né? Achei por bem que esticar aquilo com a pessoa não ia dar em nada. Ficaria alí ouvindo gritos e salmos e praguejamentos o que só pioraria minha situação. Ela já havia dado seu veredicto e pelo andar da carruagem, nada mudaria isso na cabecinha dela.

Pois bem, inseri a senhora no meu cotidiano. Nos encontramos praticamente todos os dias. E todos os dias tomo com a Bíblia no ombro. Alguns passageiros que também são frequentes no mesmo horário parecem esperar este momento. O momento que eu entro e tomo a praguejada. De uma maneira bem boba este acontecimento diverte a manhã deles. Já faz mais de um ano que isso acontece! Com uma única diferença da primeira vez: hoje, ela não fala mais a frase! Quando passo ela me bate com a Bíblia e sorri de canto de boca, um sorriso irônico, como se me dissesse com os olhos "Você sabe o que isso significa". As palavras ficam só entre eu e ela. Respondo o ato com um "bom dia". Ela segue em sua pregação e eu sigo na minha rotina. O significado disso tudo? Um dia Ele vem e me conta...um dia quem sabe.





















quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Tempo.

o tempo

Como pessoa ansiosa e impaciente que sou, o Tempo sempre foi algo com que batesse de frente. Para mim, as coisas tem que ser resolvidas logo, rápido, não importa se mal resolvidas, mas que sejam solucionadas de uma vez. Nada deste negócio de ir dormir pensando em problema ou algo que gostaria de ter dito e não disse, ou coisas empurradas para amanhã. Num resumo rústico, sempre resolvi as coisas no olho do furacão, afinal, quem é este tal de Tempo para me dizer o que tenho que fazer ou não da vida? Acontece que existem coisas que não conseguimos solucionar rápido, nem do jeito porco! Existem coisas que temos que esperar, não tem jeito. E isso, para mim, é o símbolo da morte! Sem exagero, por que se tem uma coisa que detesto nesta vida é esperar. Na minha cabeça, esperar é perder Tempo!

Meu pai, quando me via numa aflição danada para resolver as coisas do meu jeito, colocava o dedo em riste e dizia: "Menina, o Tempo dá, o Tempo tira, o Tempo passa e a folha vira". Isso me deixava descaralhada da cabeça e ele, percebendo a dúvida, emendava: "Coloque nas mãos do Tempo, Ele tudo sabe, Ele tudo resolve". Estas frases dele eram seguidas de um ataque meu, sempre com a mesma ladainha: Aaaahhhh que fácil, né? Mas daí tenho que esperar! E preciso resolver até semana que vem! Como vou fazer isso? Não estou enxergando saída! Logo chega o dia e não sei o que fazer! blá blá blá...esbraveja...esbraveja...blá blá blá....e no final eu ouvia um "Ah, vai a merda vai. Não quer entender não entenda. Não sabe conversar." dava as costas e saía. (Se não conhecem meu pai ainda, leiam "O Rei dos Rústicos"...vocês entenderão). E assim fui indo a vida toda, resolvendo as coisas do jeito que achava que devia, do jeito que achava que me favorecia e, mesmo não favorecendo, que se resolvesse e saísse da minha frente. Não queria pensar. Não queria esperar. Não queria perder Tempo.

E de ventania em ventania eu fui. Perdi coisas que talvez não tivesse perdido se esperasse e que hoje me fazem falta. Remendei outras coisas de qualquer jeito, fazendo com que elas se tornassem frágeis demais para suportar o peso das minhas necessidades. Eu ventei e vivi, atropelando tudo o que era para a semana seguinte, o mês seguinte, o ano seguinte. Eu sempre atropelei o Tempo...até que ele me barrou. Por que alicerces frágeis não suportam prédios, e foi isso que contruí a vida toda, alicerces frágeis. Coisas que meu próprio vento derrubava. Coisas que não resistiam ao Tempo.

Foi quando me vi, com 40 anos, filho, contas, encargos, vida! E alicerces fraquinhos para sustentar. Estava colhendo alí os frutos da minha pressa. Neste dia, sentei no chão do quintal e chorei. Chorei pacas e quando já estava cansada de chorar, meu pai veio em minha direção e disse (com o dedo em riste, claro!): "Menina, tudo nesta vida depende do bom uso do Tempo. É sabendo administrar isso que muitas coisas se  modificam ou podemos modificar.  O Tempo é o início e o fim de tudo. Ele é o livre-arbítrio do caminho a seguir. Você está colhendo o que semeou, não importa em que tempo ou quando, mas aprenda uma coisa, Ele é imperturbável em sua cobrança."  A novela do meu blá blá blá nervoso já ia se iniciar, afinal veio aqui me ajudar ou acabar comigo?, quando ele me cortou continuando: Está vendo a árvore do jardim que você tanto cuida? Ela é o ciclo vital. O símbolo da paciência, do aprendizado constante e sem fim, da persistência. Está alí, há anos...no sol, na chuva, nas tempestades, na seca...mas está alí, firme. Por que ela é a conformação do que tem que passar. Ela sabe que tem que esperar para florescer. Este é o presente que o Tempo dá a ela.". E saiu.

Fiquei olhando a árvore um tempão e finalmente entendi o que ele tanto queria me dizer. Não adianta querer enganar o Tempo. Ele é uma infinita e generosa oferta, diária! Nós que temos pressa, nós que abreviamos ou empurramos as coisas por medo de enfrentar. Pensamos na semana seguinte, no mês seguinte, no ano seguinte, na velhice e esquecemos do agora. Mas Ele não esquece não. Está alí, diariamente, nos dando a oportunidade de viver e corrigir nossos atos. Sim! Corrigir! Por que precisamos abrir espaço para receber dons. Precisamos perder as flores para receber os frutos. Precisamos não enxergar o Tempo como nosso inimigo implacável, mas como nosso amigo mais fiel. Todo santo dia! Aprendi que não é o Tempo que resolve as coisas, mas ele nos ensina a lidar com elas, da melhor maneira possível, contando que saibamos lidar com Ele. E esperar!

Converso todos os dias com a linda árvore do jardim de casa e com ela tento aprender a respeitar Àquele que tudo rege. Peço equilíbrio para superar as dificuldades que semeei até agora. Peço que eu aprenda a viver um dia por vez. Peço que nunca mais deixe que Ele passe em vão. E sabem de uma coisa? Já ganhei um presente Dele! Mesmo ainda tendo nossas rusgas! Ganhei mais tempo para me superar. Ganhei o grande entendimento que minha luta nunca foi contra Ele, mas contra mim mesma.

Decidi ser amiga do Tempo. E que assim seja.



Para que não leu, tá aí o link para o Rei dos Rústicos:
http://rusticrules.blogspot.com.br/2015/09/o-rei-dos-rusticos.html

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Princesa dos Rústicos.

a princesa dos rusticos

Já contei a vocês que se os Rústicos vivessem em Monarquia teríamos um Rei, então nada nos impede de ter uma princesa também! Mas como alguém com apelidos como "Dedé do papai" e "Nenêm" pode ser considerada rústica? E uma rústica pode ser considerada princesa? Pode! Por que rustiquez está no sangue, assim como o principado! Seu nome é Vanessa Jacob, a caçula da linhagem do gene de quem tem fogo nas ventas! E hoje conto um pouco dela para vocês.

A bem da verdade, acho que ela nasceu só para ser princesa. Quis a vida que ela fosse a criança temporão. A sexta criança do Rei dos Rústicos com a Flor mais linda do meu jardim! Pensa numa criatura esperada? Minha mãe já havia perdido três bebês logo após o nascimento do meu irmão, e mesmo com as complicações de saúde e tudo mais, o sonho da mesa grande e cheia de filhos continuava. Depois de um tratamento que para a época era um super avanço e uma cesária (acho este assunto de "tipos de parto" um pé no saco, aliás), nasceu uma menina cabeluda...mas muito cabeluda. De uma pele branquinha que parecia neve!  A pessoa tinha os olhos cinzas! Meus pais, naquele trauma de perder as crianças nem roupa haviam comprado para ela! Mas bastou ouvir o choro na maternidade para minha tia sair e comprar tudo o que ela tinha direito! Foi aí que começou o principado!

Eram mutos babados, laços, xales, vestidinhos e tudo mais. Um mundo de bonecas, ursinhos e tudo que terminasse com "inho" nesta vida! Nem meu pai, o próprio Rei da coisa, a tratava com rustiquez! Mas, quis a vida também que ela fosse irmã do Curupira que aqui vos fala (e que não nasceu para ser princesa) e do Gigante Guerreiro! Na época eu tinha 6 anos e meu irmão 5, já fazíamos torta de barro na horta, subíamos na goiabeira, escorregávamos de barriga no chão da cozinha e tudo mais que não deveríamos fazer e que nos rendia o dito tamanco Melissa de salto quadriculado voando pela casa. E é claro que dois rustiquinhos não perdoariam tanta princesice assim! A partir daí, a "Dedé do papai" viveu num mundo onde ela era a filha do carteiro! A gente tinha a pachorra de esperar na janela o carteiro passar só para chamá-la e dizer "olha seu pai aí, Van", o que rendia horas de choro e o chinelinho voando pela casa. Crianças sabem ser cruéis quando querem! E nós sabíamos ser com ela! Isso aliado ao fato de viver grudada na gente, era mel na sopa! Não importava quantas bonecas a gente estragasse, quantas chupetas jogássemos pela janela do banheiro, quantas mil vezes falássemos que era ela filha do carteiro...ela sempre estava alí esperando qual seria a próxima.

E entre todas as próximas que houveram,  ela cresceu, estudou trabalhou mas sempre com um sonho alí guardadinho. A Princesa dos Rústicos nasceu para casar, para constituir uma família, para ser cuidada e amada, O que é muito o inverso do que eu sonho, sabem? Mas na vida a gente também aprende que as diferenças podem virar soma. E foi isso o que aconteceu conosco. Entre as idas e vindas das jogadas do coração, fomos morar juntas. Dois seres opostos dividindo a mesma casa E foi assim que descobri que de rústica ela não tinha nada! Apesar da boca dura, apesar de todas as batalhas, alí tinha um coração molinho esperando para ser amado. A rustiquez é uma casca! Casca que encobre o choro fácil e, principalmente, a busca pelo amor! Não é fácil assumir estas coisas na vida, né? Não é fácil assumir que somos frágeis sim! E muito! Não é fácil deixar com que os outros nos atinjam tão diretamente. Não é fácil amar e ser amado. Mas isso era tudo o que ela queria.

Sendo assim, construiu uma torrezinha cascuda para abrigar aquilo que mais tinha de precioso: o tal coração. Como se, na história, ela fosse a madrasta de sí mesma. E alí o deixou. Protegido das pessoas que quisessem atingi-lo de alguma forma. Às vezes deixava com que saísse para passear, mas em qualquer sinal de perigo, lá estava trancadinho, novamente, o pobre!

Anos se passaram. Como dizem por aí, toda historia de princesa tem um final feliz! Mas a desta aqui não teve um final. Teve um recomeço! O príncipe apareceu e tirou o coração da torre. Um príncipe sem cavalo branco, sem reino, mas com a mesma vontade de amar e ser amado que ela tinha. Hoje, a Princesa dos Rústicos tem o amor e a família que tanto sonhava. Moram num castelo que construíram juntos. Se foram felizes para sempre? Costumo dizer que "sempre" é tempo demais. Então, prefiro dizer que "são felizes". Que ela é feliz! E é isso que me basta.

Se os Rústicos vivessem em monarquia ela seria a princesa. Por que ela é princesa no coração. A princesa de frágil coração.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Um elefante entre os cristais.

um elefante entre os cristais


Há quem diga que ser rústico é fácil, afinal, são seres que andam pelo mundo falando tudo o que vem a cabeça, doa a quem doer. Mas vou contar a vocês que isso é uma enorme mentira. A melhor definição que já encontrei para pessoas como nós é exatamente a que dá título a este texto: um elefante entre os cristais!

Para começo de conversa, preciso explicar que existe uma enorme diferença entre ser rústico e ser grosseiro! O grosseiro é aquele cara que fala o que pensa te ofendendo. O rústico não, ele consegue se expressar sem ofender. Claro que a gente só descobre como fazer isso na fase adulta, por que, quando adolescentes não passamos de meros desbocados magoadores de corações. É uma coisa que precisa de ajuste, sabe? Precisa de cuidado. Precisa de zelo para não quebrar os cristais que estão a nossa volta. E é assim que fazemos todo santo dia.

Infelizmente, a maioria das pessoas gosta de ser ouvida, mas não de ouvir. Querem uma enorme orelha e um ombro maior ainda para apoiar suas insatisfações, mas não querem ser contrariadas em seus ideais. O duro é que quando a pessoa chega até você com uma história não vem junto a informação: "quero apenas ser ouvida" ou "independente do que eu falar, quero que concorde comigo". Eu, por exemplo, assim que alguém me pede um conselho ou diz que precisa me contar algo, já começo a suar nas dobrinhas! O que fazer quando acabar a história? Será que ela quer realmente saber o que eu acho? Devo só concordar? Apenas balanço a cabeça em sinal de aprovação? Por que Deus não me leva agora assim não preciso fazer nada? Como lidar com isso?

Já perdi as contas de quantas vezes emiti minha opinião sincera achando que era isso que o ser humano queria e me fodi. O rosto da pessoa já se transforma em um enorme bico, os olhos lacrimejam e pronto! Danou-se tudo! O rústico vendo esta transformação já suspira fundo e pensa: por que não simplesmente concordei? Mas concordar e ver a pessoa se estrepar? Concordar e ir contra nossas próprias verdades? Concordar e se aquilo der errado você ser acusado de ter ajudado na decisão? Não sei o que é pior. Por que sim, se der errado, você será cobrado. E o bico será o mesmo. Então será que tanto faz?

Nunca que tanto faz! Se você não quer a opinião de alguém, não pergunte! Faça do seu jeito. Se você quer falar com pessoas que só concordem com você, converse com o espelho! Pronto! Assim nunca será contrariado em seus ideias. Ou arrume um belo puxa-saco! Mas não pergunte a opinião de um rústico, por que ele vai te falar! Pode até ser com jeitinho, mas que vai, vai!

Em compensação, o rústico expressa seus sentimentos na mesma proporção. A gente não tem medo não! Quando a gente gosta, fala! Quando a gente ama, fala também! Quando não gosta, idem! Por que guardar faz mal! Para o corpo e para a alma! Por que deixar as coisas cozinhando dentro da gente, mesmo os sentimentos mais lindos, é um dos piores erros que podemos cometer. Vira doença. Você começa a juntar lixo tanto dentro quanto fora. E quando um rústico guarda muito as coisas, ele passa de "elefante entre os cristais" para "elefante enraivecido mata 15 pessoas". E não é bem este o caminho, né?

Eu, por exemplo, já faz algum tempo que larguei mão do que não me agrega, do que não contribui, daquilo que dói, daquilo que não deixa que eu me expresse. Se não está bom? Para que? Se não faz bem, segue seu caminho. Se não quer ouvir? Não pergunte. Não cobre sinceridade se não aguenta o tranco. Não cobre amor se não sabe dar. Aprendi que posso ser um elefante sim, mas se caminho ao seu lado com cautela é por que, para mim, você é um cristal. Por que de copo de requeijão guardado dentro e fora dos armários, o mundo está cheio. Cabe a você escolher qual prefere ser.

















quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Receitas da minha linda Senhora - Crumble de Maçã

crumble de maçã


Nada melhor do que frio e chuva para iniciar esta seção nova do blog! Receitas da minha linda
Senhora começa hoje com uma pedida delícia para um tempinho como este! Crumble de maçã!
Além de ser uma delícia de comer quentinho, deixa a casa toda perfumada!
Por que os Rústicos também comem! E comem bem, viu?

Ingredientes

4 maçãs (a receita original diz "tipo Fuji"...mas feras, dane-se, né? façam com a que tiver aí!)
100 g de passas sem caroços (já fiz sem as passas e fica bom do mesmo jeito)
1 xícara de farinha
3/4 de xícara de açúcar
1 colher de sopa de açúcar (nas etapas dá para entender o pq desta colher aqui)
1 colher de chá de fermento
65 gramas de manteiga derretida (é quase uma xícara, este treco de grama é horrível)
2 ovos
Canela em pó (sejam generosos)

Preparação

Etapa 1
Descascar as maçãs, tirar os miolos e cortá-las em cubinhos. Coloque as maçãs
num pirex untado com manteiga, junto com as uvas passas (ou não) e salpique
com a canela (generosidade é a palavra aqui) formando a primeira camada.

Etapa 2
Misturar a farinha, os 3/4 de xícara de açúcar, o fermento e peneirar.
Coloque esta mistura sobre as maçãs formando a segunda camada.

Etapa 3
Colocar a manteiga derretida sobre a segunda camada. Bata os ovos
com a colher solitária de açúcar e derrame sobre a camada de manteiga,
tendo o cuidado de cobrir tudo.

Leve ao forno a 180 graus até dourar.

Tá dá! Torta rápida para comer ainda morna (ou com sorvete...hhuuummmm)
e cheia de amor gordinho! Façam e me contem o resultado!

Ah, e me contem se curtiram esta seção! o Blog é feito para vocês!






terça-feira, 29 de setembro de 2015

A flor mais linda do meu jardim.


Quando menina era a mais mimada das crianças da rua. Sempre com vestidos engomados e laços de fita no cabelo. Por mais que meus nonos não tivessem condições, faziam de um tudo para que ela fosse a menina mais bem arrumada da rua! Quando moça, parava a rua com sua beleza. Nascida na Pompéia, local que seria seu amor até o fim onde ela dizia ter tido os momentos mais felizes de sua vida, subia e descia as ladeiras do bairro recebendo elogios por onde passava. Uma cabeleireira talentosa, cheia de clientes. Sempre simpática, charmosa e doce. Ela sabia que tinha nascido para ser a flor mais linda do jardim de alguém.

Quando mulher, casou-se com o Rei dos Rústicos! Uma combinação inusitada! Teoricamente, flores e rustiquez são coisas que não combinam. Mas acharam de combinar, na vida é assim. A profissão de cabeleireira parou. Um descendente de Sírios não aceitava que sua mulher trabalhasse fora. Do outro lado, minha mãe foi criada do jeito mais tradicional possível, era uma dona de casa excelente, ajudou a criar meu tio (ele aparecerá por aqui em outro texto...) e na cabeça dela e de muitas naquela época, as mulheres tinham que casar e cuidar de seus maridos. E foi isso que ela fez.

De esposa cuidadosa a mãe exemplar. Foram seis gravidezes! Seis! Das seis nasceram três! E todos em escadinha, tanto que a diferença de idade entre eu, que sou a mais velha, e minha irmã caçula é de seis anos. A partir daí nascia uma Mãe, com este M mais maiúsculo que vocês podem imaginar! Protetora, amorosa, cuidadosa, com suas roupas de flores e dona de um chinelo Melissa de plástico com um saltinho quadriculado que cantava se fosse necessário! O negócio vinha feito um boomerang desgovernado e pegava em quem estivesse na frente! Na hora que o chinelo cantava eu e meu irmão saíamos como loucos pela casa. A gente nunca foi santo. O dito chinelo acertou poucas vezes...hoje penso que poderia ter acertado bem mais...e teria sido muito bom para a gente. Era uma flor em meio aos rústicos. Para maus dos pecados dela, todos em casa puxaram o gênio do meu pai! Conseguem imaginar o que era isso? Ela não tinha boca para ofender ninguém, em compensação a gente e nossa língua comprida. Mesmo assim, mesmo no meio dos espinhos, a flor sempre estava lá.

De mãe exemplar a avó mais amorosa do mundo. Quando achava que não poderia caber mais amor em uma pessoa ela veio e me mostrou que pode caber sim! Foi mãe do meu sobrinho mais velho. Foi mãe do meu filho. Não existia alegria maior para ela do que ver a casa cheia de netos. Por isso, a vida lhe deu sete. Sete netos! A vida sabe o que faz com quem tem amor para dar. Disso eu nunca tive dúvidas.

Do mesmo modo que a vida também, muitas vezes, faz com que a gente tropece nesta estrada, há dois anos atrás foi descoberto que minha mãe tinha câncer...tardiamente. Aquela frágil flor que não tinha boca para nada e no alto dos seus sessenta e cinco anos, teria que enfrentar esta dura batalha. E foi aí que descobrimos que ela podia ser tudo...menos frágil! Lutou contra esta doença bravamente. Mostrou que por trás de cada pétala existia uma guerreira dona de uma força enorme. Enfrentou as químios, os enjoos, as dores, as internações, enfrentou tudo e todos!

Ela assistia eu cuidar das flores do nosso jardim, sentadinha na cadeira enquanto papeávamos e dizia: "Ri, você tem amor nas mãos! olha como está lindo o jardim!". Na minha cabeça eu achava que se cuidasse dela com este amor que ela dizia que eu tinha nas mãos somado a vontade que ela tinha de viver, aquilo passaria. Se eu conseguia fazer uma planta voltar a dar flores, por que não conseguiria com ela?

Não consegui. Numa segunda-feira ela saiu para fazer químio e não mais voltou. Se eu disser para vocês que entendi o que aconteceu, estou mentindo. Ela estava comigo e num piscar de olhos não estava mais. Já se passaram meses e eu pouco falo dela. Não falo por que dói. Não falo por que ela não está mais na cadeira da cozinha assistindo novela esperando eu chegar do trabalho para cozinhar alguma delícia (como ela dizia) enquanto conversávamos. Não falo por que me rasga o coração.
Tento pensar que a vida levou minha mãe antes que a coisa ficasse pior. Antes que a flor perdesse totalmente seu viço. Tento pensar que hoje ela enfeita e leva seu imenso amor e bravura a outros mundos. Outras almas que, assim como nós, precisam tanto de alguém que saiba amar.

Minha mãe sabia amar. Minha mãe sabia que tinha nascido para ser a flor mais linda do jardim de alguém. Ela foi e sempre será! E agradeço todos os dias por isso. Por que este "alguém" sou eu!

Te amo onde quer que esteja, Mãe. Nunca se esqueça disso.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Amor por Amor.

amor por amor


Parece nome de novela brega do Vale a pena ver de novo, né? Mas apesar do clichezão, esta foi uma das coisas mais bacanas que aprendi nos últimos tempos. Não tem como dar um outro nome a ele e é um dos sentimentos mais difíceis de aprender!

Já contei a vocês que Amor é bicho livre, que gosta de correr solto por aí e que se o deixarmos assim, ele fica! Sem engaiolar o bicho! Mas, nós temos medo. Medo da perda, medo da solidão, medo da sociedade. Gostamos de título! Meu marido, meu namorado, minha mulher, minha esposa, meu amigo e por aí vai! E olha lá o pronome possessivo na frente dos títulos! Vocês lembram que pronome possessivo são palavras que indicam a pessoa gramatical (POSSUIDOR), acrescentando a ela a idéia de posse de algo (COISA POSSUÍDA)?.....possuidor...coisa possuída.... Isso não tem nada a ver com amor!

Vou exemplificar com algo do meu cotidiano. Em casa tem um jardim e sou a louca da planta. Gosto de plantas! Arrisco dizer que gosto mais de plantas do que de pessoas. E costumo chamá-lo de MEU jardim, por que ele está dentro dos muros de casa. Mas isso não está certo, por que o jardim pode viver sem mim! A chuva molha, as minhocas arejam a terra, as raízes procuram um lugar bacana para tirar os nutrientes, as borboletas polinizam o lugar fazendo sempre com que nasçam novas plantinhas, o sol dá a energia que elas precisam para crescer, ele vive sem mim!

Qual é o meu papel nisso tudo? O que forneço ao jardim para que ele floresça tanto? O que faz com que ele seja diferente dos outros? Eu forneço o amor! As plantas do jardim não tem nomes nem pronomes, as chamo de lindas, cheirosas e quanto mais adjetivos eu achar no momento. Falo bom dia, boa tarde, boa noite. Temos longas conversas, e digo mais, divido meus problemas com elas sim! Mesmo sabendo que elas não poderão me ajudar. É só pelo dividir e amar. Não cobro que elas me deem flores, nem que os temperos cresçam e façam o jardim ficar cheiroso e minha comida mais gostosa. Não cobrar é uma coisa muito bacana nesta vida! Eu simplesmente dou amor! E é assim que elas retribuem. Com o mesmo amor!

Não existe um dia que eu não saia no quintal e não tenha brotado uma nova flor. Quando chove, ele vira o lugar mais cheiroso do mundo. A dama da noite, os pés de manjericão, a arruda, todos exalando ao mesmo tempo o que eles tem melhor para me dar. Casulinhos de borboleta por toda a parte. Sabiá cantando todos os dia de manhã na árvore! Eles vêm! Sem cobrança. Sem gaiolas!

Não miro naquilo que ele pode me oferecer. Não converso com as plantas esperando as flores. Corro atrás diariamente da minha sobrevivência, assim como o jardim corre atrás da dele! E é assim com os pássaros, as borboletas e tudo mais que lá habitam! Nós coexistimos com amor! Amor por amor!

Acredito que vocês tenham entendido onde quis chegar com toda esta história. O amor não nasceu para ser ruim, doer, ficar preso ou ser cobrado. Quem faz com que ele seja assim somos nós mesmos. E quando ele passa a ser isso, já não é mais amor! Esquecer os pronomes possessivos, os títulos, usar adjetivos, deixa a vida mais leve, mais cheirosa, mais gostosa, mais florida!

Não deixem que uma louca da planta como eu chegue para regar o jardim que você tanto almeja (sim...eu molho plantas sequinhas quando passo por elas na rua, mas isso preciso resolver com terapia e não aqui). Se você recebe amor, retribua! Isso não dói! Muito pelo contrário! Por que eu acredito que igual a mim, devam existir muitos. Muitos que acreditam no amor por amor! E estão soltinhos por aí, a procura de uma planta para conversar.

Dividam e coexistam, feras! Com amor. A vida fica muito mais bonita assim.

















segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A Linda Senhora.



Sabem aquelas vozes que ficam ecoando em sua cabeça? Eu não sei quanto a vocês, mas chego a ter diálogos intermináveis com várias e várias delas. Isso me atormentou durante muito tempo, porque a gente não quer ouvir, né? Fica aquela bagunça generalizada no cérebro, um bando de gente falando e você tentando apartar todo mundo! (Parece loucura...talvez seja..mas minha sensação é bem esta).

Eu sofro de ansiedade e, para quem não conhece, é a pior sensação que você pode ter. Já tive crises de chegar a ter taquicardia, com dor no braço e o escambau! Nestas crises, acontecem as tais conversas infinitas e, na maioria das vezes, as conclusões nunca são boas. Ansiedade é um monstrinho que fica pousado no seu ombro, soprando no seu ouvido coisas que você não quer saber. A gente sofre antes, a gente espera muito, a gente resolve coisas que nem deveriam ser resolvidas no momento. Com ela destruímos o mundo e a nós mesmos.

Foi desta sensação horrível que precisava ser controlada de alguma maneira, que passei a ouvir minhas vozes interiores. Mas para mim não bastava ouvir, precisava identificar! E assim conheci a Senhorinha de 90 anos que mora no meu coração!

Nunca fui muito boa para expressar sentimentos, sempre fui 8 ou 80! Mas minha linda Senhora é! E ela expressa isso através da comida! Para ela basta que você coma e repita! Nem precisa elogiar nem dizer que amou! É ela que pacientemente corta os biscoitos em forma de coração, assa um pernil por mais de cinco horas, prepara a ceia de natal e ano novo e tudo mais que for preciso! Ela tem a paciência que eu não tenho! (aaahhhh a paciência....).

É ela que segura e muito esta minha ansiedade (ela e o Caboclo que mora no meu coração, mas isto é outra história!). Ela me ensinou que, mesmo que eu não saiba expressar amor verbalmente, se eu colocar tudo o que sinto na hora que estou cozinhando, pronto! Os sentimentos estarão todos lá! É como se aquilo virasse uma poção mágica e que quem comer sentirá tudo aquilo que queria passar, sem que eu tenha que abrir a boca! Me ensinou que aquele turbilhão de coisas não precisava ficar guardado dentro de mim. Eles poderiam sair e fazer pessoas felizes, a minha maneira.

Por que esta é a grande sacada da coisa! Fazer as coisas a sua maneira! Mas fazer! Se expressar da maneira que ache melhor! Mas não deixar as coisas guardadas em você! É isso que nos adoece. Sentimento guardado, não importa se sejam bons ou ruins, apodrecem. E com eles, a gente também.

A Senhorinha de 90 anos que mora no meu coração é o meu jeito de expressar amor! Por que ela é amor! Amor doce e gordinho! O meu amor!

E ela aparecerá aqui no blog com suas receitas mágicas! Por que no mundo dos rústicos existe amor também! E a gente se alimenta dele! Sempre. E será o meu jeito de mostrar amor por vocês.

Espero que gostem!






















quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Rei dos Rústicos

meu pai

Se nós, os rústicos, vivêssemos em Regime Monárquico, este homem seria, sem sombras de dúvidas, o Rei! Seu nome é Antonio Jacob Filho, o "Seu Toninho", e ele é meu pai.

Nas minhas lembranças de infância ele sempre está sem camisa, vestindo sua tradicional bermuda, chinelos e com as guias, muitas delas, penduradas no pescoço. Meu pai era espírita. Um espírita de muitos centros e muitos Guias. Um descendente de sírios que honrava suas tradições ou pelo menos tentava e muito! O mundo foi e a modernidade nunca o atingiu. Não usava carteira, não tinha conta em banco, odiava computadores, usava celular por que o obrigavam. Vivia em função do trabalho, tirou férias uma única vez na vida. Detestava a palavra preguiça. Assim que alguém aqui em casa falasse sobre isso vinha sempre o sermão: "esta palavra é muito feia! Nunca pronunciei esta palavra na vida!". E era verdade, meu pai acordava todos os dias às quatro da manhã, tomava seu banho e partia para o canteiro de obra. E fazia isso assobiando! (Vou contar que ter alguém assobiando debaixo de sua janela às quatro da matina não era muito bacana não, viu?).

Homem de poucas demonstrações de carinho (abraços e beijos só em datas comemorativas e olhe lá) e dono de uma boca que, olha, fazia com que ele destruísse o mundo! O cabra não tinha papas na língua. Não importava quem fosse, onde fosse, se ele tivesse que dizer, dizia. Dono do famoso bordão "grande merda", esta era sua resposta para tudo o que contássemos a ele!  "Pai, tirei oito na prova!" a resposta era bate pronto "Grande merda, não fez mais que sua obrigação". E assim era com tudo e todos. Nas reuniões de família chegamos a inventar um "Assunto cartaz", que continha todos os assuntos que ele não podia falar, para que a reunião não acabasse em briga! Com os anos o cartaz se tornou um outdoor, que de nada resolvia. Ele falava o que bem entendia, sempre seguido de um risinho e a frase mediante as caras feias: "Ué, não era para falar disso?".

Meu relacionamento com ele sempre foi péssimo. Por que se os rústicos vivessem num Regime Monárquico ele seria o Rei. Acontece que nós não nascemos para ter um rei. E nos batemos de frente a vida inteirinha por conta disso. Ele querendo que eu fosse como ele queria e eu querendo ser eu mesma, e claro, fazendo de tudo para me tornar o mais diferente possível  das aspirações dele. Demorou muito tempo para eu perceber que éramos iguais, dois iguais tentando se tornar diferentes.

Como já disse, meu pai era espírita e viveu para sua religião a vida toda. Nas minhas memórias de infância também moram as imagens dos Santos e velas acesas que ficavam dentro do seu quarto, cresci com elas. Para mim, apesar de ser muito comum aquilo tudo, este sempre foi mais um dos motivos das nossas grandes brigas. Ele queria me ensinar e eu não queria aprender. Não queria seguir, não queria as obrigações. O ponto era: eu não queria ser igual a ele. Mesmo vendo o tanto de gente que ele ajudava com isso, mesmo vendo o quanto as pessoas gostavam de suas histórias, o tanto de gente que o procurava pedindo conselho. O quanto ele foi bom para tanta gente usando sua religião, eu não queria. Mas ele insistia. E muito.

Numa das muitas reviravoltas da vida (e minhas também), voltei a morar com ele. E logo me vi as voltas com as ordens, desbocamentos e a religião. Mas depois dos 35 anos a gente aprende a prestar mais atenção nas coisas, ou pelo menos tentar. Passei a prestar atenção nas histórias que ele contava, no jeito que ele agia, e descobri que debaixo daquela casca grossa existia um coração enorme. Que lutou a vida toda pelo amor dos filhos e dos netos (aahh os netos! os únicos seres que tiravam o Seu Toninho desta casca!). Que, do jeito dele, ele era amor também! Alí tinha amor, sim. Do jeito que ele sabia expressar.

A doença veio e, com isso, as obrigações dos Guias dele passaram a ser minhas. Não podia parar! Ele não queria que parasse. Deveria continuar até que ele ficasse bom, até que ele pudesse retomar. Passei a limpar as casinhas de Santo, acender as velas e tudo mais que deveria ser feito, enquanto ele me contava as histórias dos Orixás, sentado na porta da cozinha (as lindas histórias de quem tem fé!). Mas meu pai não ficou bom. A doença tragou ele como ele tragava o cigarro que nunca largava. Vi inúmeras vezes ele cheio de dor, levantando o braço aos céus e chamando por Deus. Meu pai nunca perdeu a Fé. Nem em seu pior momento. Num destes piores momentos foi a primeira vez que eu disse que o amava. A primeira vez em 41 anos. A primeira e última.

Meu pai me deixou no início deste ano. E logo depois de sua passagem veio o grande pulo do gato do Seu Toninho. A fé dele não podia parar! E a luta dele por conta de que eu entendesse sua religião e suas crenças e que alguém levasse isso adiante tinha a cartada final alí: Meu pai deixou sua herança espiritual para mim. Seus Guias se uniram aos meus Guias e hoje andamos juntos. As mesmas imagens que povoam minhas memórias de infância são aquelas onde rezo todas as noites. Meu pai me deixou a fé! E nunca poderia querer um presente melhor.

As contas das guias que adornavam seu pescoço ainda estão aqui, assim como o lugar onde ele orava para seu anjo da guarda. E é neste lugar que, todos os dias, acendo uma vela e digo: Pai, te amo onde quer que você esteja. nunca se esqueça disso.















segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Não nasci para ser princesa.

não nasci para ser princesa

Não nasci para ser princesa. E a vida ficou muito mais linda quando assumi que podia ser plebéia sim!

Princesas gostam de súditos. Eu sempre gostei de compainha. Não vou mentir que tenha tentado despertar a princesa que achava que dormia em mim. Na adolescência (nem por um milhão de caralhinhos esculpidos em barras de ouro voltaria a esta fase!), bem tentei ser igual àquelas que gostam dos súditos. Tentei os saltos altos, as saias justas, os vestidos, o glamour (tudo bem que eram os anos 80...e ninguém era glamouroso nos anos 80...) de ser a menina perfeita, elogiada pelos meninos da escola e tudo mais. Mas nas minhas veias corria o sangue de quem tinha feito muito bolo de barro na horta da nona, subido muitas vezes na goiabeira e caído sempre em cima do mesmo formigueiro (que sabia que estava lá!), catado tatu bola debaixo dos tijolos enquanto o Tio da Sanfona arranhava seu acordeão, escorregado de barriga no chão da copa cheio de sabão enquanto minha mãe não estava. Na minha cabeça sempre foi muito mais bacana ver o Falcon (eu e meu irmão temos uma diferença mínima de idade, ele sempre foi minha compainha quando criança) atravessar o quarto pendurado no varal, como se estivesse atravessando uma grande selva, do que brincar de boneca.

Mas segui tentando, por que é isso que a gente faz. A gente tenta se enquadrar naquilo que a sociedade diz para a gente que é o certo. Tentamos nos enquadrar na moda, nos trejeitos, no linguajar, nas atitudes. Tentamos por que temos medo da rejeição. É muito mais fácil ser incluído quando se é um igual. Na verdade, achamos que fomos incluídos, quando na verdade, passamos despercebidos. E vamos nos distanciando cada vez mais do que realmente somos. Achamos que é uma obrigação mostrar fragilidade, mostrar necessidade, mostrar carência. Deixamos de lado nosso conteúdo, crenças e ideais para seguir em meio a um bando. Um bando de iguais.

Hoje eu sei que posso ser muito mais mulher usando um All Star do que um salto alto (que me faz andar feito um orangotango manco..fora a dor...aaahh a dor!). Que minhas calças rasgadas me deixam mais feminina do que se usasse um tailler. Que posso usar blusas de herói, pisar descalça na terra e entrar em casa com o pé sujo, ficar com as mãos imundas e as unhas descascadas cuidando do jardim. Não preciso fazer de conta que gosto de comer salada, que me cuido usando cremes, que prefiro vinho ao invés de uma boa cerveja gelada num copo americano de boteco. E a grande sacada é realmente esta expressão: Eu não preciso! E isso não me faz ser menos ou mais do que ninguém. Me faz ser eu.

No auge dos meus 41 anos, se tivesse que escolher algum personagem do universo imaginário para ser, escolheria o Curupira! Pouco feminino, né? Mas foi esta alma soltinha no mundo, que aprendeu a se virar, que gosta do mato, da natureza, de andar descalça, de se sujar de terra, que não sente necessidade de mostrar fragilidade ou de esperar o príncipe vir socorrer para usá-lo como apoio, que me permitiu ser hoje o que sou. Foi esta linda alma rústica que não me fez ter súditos, mas sim grandes companheiros de aventuras nesta vida!

Eu não nasci para ser princesa. E é assim que sou feliz.
















quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Meu doce gigante.


meu tsunas

Muitos o conhecem como Tsunas, que vem de Tsunami, que é o que ele é. Nada onde passa fica inteiro, ou em pé ou, ao menos, um pouco abalado. Quando ele não derruba, ele esbarra...quando não esbarra...derruba. Quando está direito, entorta...quando está torto...entorta mais ainda. Seu nome é Giancarlo Jacob Peres Rodrigues, tem 11 anos e é meu filho. Meu doce gigante!

O Gica tem 1,63 m de altura, pesa 60 kg e calça 41. O que faz com que ele seja enorme perto das outras crianças de sua idade. No início ele sofria com o dito "bullying" na escola, por que parece um menino de 15 anos numa classe de crianças de 11. E sofreu pacas com isso. Chegava em casa reclamando que não tinha amigos, que não gostava da escola, que não queria ir mais. Até que aprendeu a vantagem de ser grande que é: ser grande! A partir daí uma sucessão de brigas na lanchonete envolvendo inclusive as mesas (que nem aquelas de bar, sacam?), crianças chorando na secretaria com o nariz sangrando. Minha presença passou a ser mensal na escola, muitas vezes quinzenal.

Não é de se estranhar esta mudança de comportamento. O Giancarlo vem de uma geração de Rústicos. Ninguém nesta família leva desaforo para casa. Ninguém. E eu, na minha função de mãe, ao comparecer ao colégio por conta das brigas, defendi o que era meu! Afinal, todas as vezes que meu filho teve esta reação, foi por que alguém provocou. A história sempre começa da mesma forma: "Então Senhora Rita, fulano chamou o Giancarlo de gordo e na terceira vez ele reagiu de forma agressiva"... então por que a mãe do fulano não está aqui também? terceira vez? Agredir com palavras na maioria das vezes dói muito mais que um soco bem dado. E paciência tem limite!

Mas o ponto desta história toda é que comecei a perceber que ele não gostava disso. Ele nunca se vangloriou de nenhuma briga, Nunca contou como uma aventura, muito pelo contrário, evita falar disso. Eu percebi que os socos que ele dava doíam muito mais nele do que no outro. Eu percebi que o meu Tsunas não era um Rústico!

O Giancarlo, de todas as pessoas que poderia ter puxado nesta vida, foi puxar a única que não carregava o gene da Rustiquez: minha mãe! Ele ensinou meu pai, um descendente de sírios machista pacas, que tudo bem se ele chegasse da escola e desse um beijo no avô dele, mesmo sendo homem. No começo o avô reclamava dizendo que homem não beijava outro homem. Mas ele insistiu dizendo que era o avô dele então não tinha problema. No final, meu pai esperava este momento e sorria depois do beijo. Ele tenta agradar a todos do jeito dele, mesmo que as pessoas não lhe deem atenção, ele continua tentando. E não se liga muito nesta coisa de atenção não. Se ele acha que agradou, para ele está bom. Brinca com minhas sobrinhas pequenas com a maior paciência do mundo e as meninas são loucas por ele. As brigas são só a maneira que ele achou de se defender de alguma forma. Se defender das palavras ruins, já que ele não consegue agredir as pessoas com elas, usou seu tamanho para intimidar.

Meu Tsunas é um nerd feliz. Que gosta de animes, Marvel e DC (sim gente, é possível gostar dos dois!), mangás, faz aula de robótica, xadrez e cubo mágico. Não gosta de esportes, assiste TV enquanto monta um quebra-cabeça e joga no tablet conversando com os amigos. Hiperativo, roqueiro, inteligente pacas e dono de um coração maior que o tamanhão dele.

Se eu gostaria que ele fosse um rústico? Não. Apesar de ser uma rústica assumida, eu acho que o mundo é e sempre será dos bons de coração. E tenho muito orgulho da vida ter me dado um ser assim para cuidar. A vida me deu um gigante. Que maior que suas atitudes e o seu tamanho é o seu amor. A vida me deu um gigante. Um doce gigante.

PS: as brigas cessaram um pouco...ou a intimidação funcionou ou acabaram as mesas da lanchonete.

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Zona de Conforto

vamos sair dela juntos


Sempre gostei de desenhar. Na escola meus cadernos eram repletos de desenhos e quase nenhuma anotação do que realmente deveria ter (o que me rendeu milhares de broncas no decorrer do período). Finalmente chega a faculdade! Primeiro ano básico e depois poderia optar por Licenciatura em Artes Plásticas ou Desenho Industrial. Artes Plásticas!!! Meu mundo de tintas, cores, pincéis, lápis e traços se formava como eu havia imaginado! Até que um dia, entra um professor barbudo e mal encarado na sala e diz: "Ou vocês tem que ser muito bons no que vão fazer ou viverão de vender quadros na Praça da Sé". Aquilo foi como um soco na minha cara e me acompanhou até o final do ano. Assim foi inaugurada minha primeira fugida para a Zona de Conforto: me matriculei em Desenho Industrial. Eu nem tentei! Por conta de uma frase dita por um cara que, definitivamente, não deveria lidar com alunos em formação, desisti do que tanto sonhava e corri para dentro da bolha quentinha e gostosa que o curso de design me apresentava. Era novidade na época. Curso promissor....eu só tinha 20 anos, o que me impediria de tentar meu sonho? se não desse certo era só tentar outra coisa...eu tinha TEMPO!

Logo veio o primeiro emprego em uma agência especializada em catálogos. O dono era um gaúcho bravo...muito bravo...bravo a ponto de estraçalhar os óculos na mão quando algo dava errado. A ponto de amassar o jornal e morder quando algo dava errado. A ponto de tacar o porta durex na cabeça de funcionários que não atendiam ao pé da letra o que ele queria. Todos tinham medo do homem. Ao ouvir o barulho dos sapatos dele estalando no corredor, todos corriam, sentavam em seus lugares e ficavam mudos. Fiquei quase 5 anos lá. Aprendi muito, não vou negar, mas ia trabalhar todos os dias achando que a próxima cabeça a ser rachada por um porta durex seria a minha. Quase 5 anos indo trabalhar com medo. Mas, meu salário caía na conta certinho, não tinha que me aventurar em entrevistas de emprego...tudo bem sentir medo ou ser esculachada, né? Não! Não estava tudo bem, por que ninguém tem vontade de levantar da cama para sentir medo, ou fazer o que não gosta, ou ser esculachado..mas a gente vai por que algum infeliz inventou a droga da frase: É o que temos para hoje.

Por conta disso, nos escondemos dentro desta bolha delícia que é a Zona de Conforto. Mas não enxergamos que ela é nossa prisão particular, é o que nos separa de nossas vontades e sonhos. Ela é o medo! O medo de sorrir para aquele carinha bonito que pega metrô todos os dias no mesmo horário que você ou de dizer um oi para a garota parada no ponto de ônibus. Por que vai que fazemos isso e somos ignorados!!! Mas não fizemos, portanto nunca saberemos. Ela é o medo de sonhar, nada ultrapassa a camada fininha da Zona de Conforto. É o medo de agir e de se aventurar.

Quantos de vocês acordam e dizem:" aahh, mais um dia de trabalho! Que delícia!!"? ou quantos olham para o trabalho depois de feito e dizem: "aahh que orgulho!!"? Quantos de vocês sorriem para o carinha do metrô ou dizem oi para a garota do ponto de ônibus? Quantos de vocês se escondem atrás de relacionamentos frustrados por que: É o que temos para hoje? Ou deixam de escrever, pintar, desenhar, jardinar, costurar, compôr lindas músicas ou o que quer que seja por conta de tempo? Ou medo de se expôr? Quantos projetos vocês tem guardados? Quantos sonhos?

Meu pai repetiu a vida toda que seu sonho era ter um sítio para criar umas galinhas, uns porcos e um laguinho para pescar. Trabalhou muito, sempre. Tirou férias uma única vez na vida. Empurrou o dito sonho, por que nunca era a hora. A doença veio e ele se foi levando o sonho do sítio. Minha mãe sempre dizia que se arrependia de ter largado a profissão dela. Era cabeleireira antes de casar e tinha um puta orgulho disso. Passou a vida dizendo que se arrependia e não voltou! A doença veio ela se foi levando o dito do arrependimento com ela.

O grande lance deste espaço, é que cansei de criar coisas e vê-las engavetadas por que não tenho tempo ou por que preciso engolir o que tenho para hoje. Já criei linhas de roupas bacanudas, já criei uma marca de comidinhas, já sonhei muito em cima das minhas ambições. e engavetei tudo, porque a Zona de Conforto me impede de passar pela sua bordinha fina e quentinha. mas a vida tem tempo. Vejo todos os dias gente cheia de talento se esconder atrás de mesas fazendo coisas mecânicas. A gente nasce, vive e morre. Não existe como fugir disso. Mas existe sim como fugir da Zona de Conforto, por que ela pode ser macia, gostosa e quentinha, mas o grande orgasmo está fora dela!

E eu convido todos a tê-lo! Por que sentir tesão pelo que fazemos é um dos grandes segredos desta vidinha aqui! Este lugar é nosso. Não quero falar só de mim e dos meus trabalhos, quero falar de gente talentosa, corajosa e que não tem medo de se expôr. Gente que tem coragem de estourar a camada fininha e deixar bater o sol no rosto e o vento nos cabelos. Por que é para isso que estamos aqui! Para tentar!

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(quem sabe você, né?)
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Amor é bicho livre.

O meu carinha rosa preferido no mundo todo. O Amor.


Sabe aquela sensação gostosa que você tem após conhecer uma pessoa? Aquela vontade de estar junto, dormir junto, acordar junto, tomar café junto, fazer tudo junto? Então, isso é Paixão. E é muito diferente do carinha aí de cima.

Esta figura simpática é o Amor. Ao contrário do Ego, da Preguiça, da Paixão, do Orgulho e de muitos outros sentimentos, o Amor nasceu livre e não gosta de ficar grudado o tempo todo não! Ele gosta mesmo é de ser sentido! De ser curtido! Ele gosta de ficar um pouco distante e sentir saudade. A saudade que faz com que ele volte sempre ao mesmo lugar.

Um lindo dia temos a sorte de conhecê-lo. Lá está ele, lindo, de camiseta do Metallica, cabelo comprido e desgrenhado, tomando uma cerveja com os amigos. Seus olhos brilham. Os dele também. Ahá! Lá vem a figura rosa fazer parte da vida da gente!! E sabe qual é a primeira coisa que pensamos? "Aaahhh, tenho certeza que é para sempre!"...fué fué fué...primeira torcida de nariz do Amor. Sempre é tempo demais! Amor é agora! O cafézinho, a conversa gostosa, o boa noite pelo telefone (sem a brincadeira do "desliga primeiro você"...não preciso nem dizer o que acho disso), a cerveja geladinha, o acordar, o dormir e todas as milhares de coisas que são tão gostosas de se fazer a dois.

O Amor até perdoa o tal do "para sempre", afinal, alguém inventou o conto de fadas e enfiou na cabeça das pessoas que é assim que funciona (vocês repararam que quando dizem "e foram felizes para sempre" ninguém diz que continuaram juntos?). Até o dia em que damos uma camisa pólo para o Amor dizendo: Ah, Mozão, você fica tão mais lindo com ela!...e fazemos da blusa do Metallica pano-de-chão. Damos um corte de cabelo surpresa. Inventamos um jantar com as amigas no dia do chopp de quarta-feira com os camaradas. Dizemos que tem um almoço tradicional familiar todo domingo e que o Amor precisa ir (pre-gui-ça). Nisso o Amor vai minguando, vai emagrecendo, vai inquietando enquanto ouve nossa voz o tempo todo em sua orelha: Mas Mô...vc está tão diferente! Que está acontecendo?. Pedimos a senha do celular, chafurdamos em todas as redes sociais a procura de algo que só existe na cabeça da gente, até que colocamos o carinha rosa em uma jaula. E quando ele dá o basta, quebra as grades e se vai, choramos desvairadamente dizendo não saber o que aconteceu.

Se acabou é por que não era Amor? Mentira..era sim! Mas temos o péssimo hábito de não enxergar que os defeitos da pessoa sempre estiveram alí, nós que fingimos não ver. Ficamos tentando moldar o outro a tudo aquilo que sonhamos para nós durante a vida. Sonhamos pelo outro. Seguimos regras sociais antiquadas e que nunca fizeram ninguém feliz de verdade. Copiamos padrões que não funcionam, ao invés de simplesmente respeitar e aproveitar.

Se acabou é por que Amor é bicho livre. E a natureza dele é livre por que nós, seres humanos cabeçudos, nascemos para ser livres! Você tem a sorte de ter um carinha rosa destes na sua vida? Cuide, aproveite mas não o prenda. Amor solto, livre e feliz sempre fica! E algumas vezes, para sempre.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Coxinha´s Rules

Coxinha é amor


Descobri há uns dois anos o gosto de ser magra...mas vou contar a vocês que nunca na vida será mais gostoso do que uma coxinha com catupiry! Coxinha, para mim, é uma das maiores expressões de amor em forma de comida. Amor em forma de bolinha com pontinha! Crocante, quentinha e bem recheúda é sempre uma dose de felicidade nos nossos dias tão corridos e cheios de coisas para resolver (e não me venham com chatice de fritura, gordura, carboidrato, calorias e sei lá mais o quê! Aqui estamos falando de amor!)

Esta maravilha da foto é do Varanda, no Shopping Vila Olímpia. Costumo dizer que ela é o ovo de páscoa das coxinhas. O tamanho vale por uma refeição. Massa fininha, crocante por fora e macia por dentro, frango bem temperado e em uma quantidade absurda e embaixo...aaahhhh uma enorme camada de catupiry delícia!

Na minha opinião, amor não deveria ter preço..mas este tem. Custa R$7,60 mas eu garanto que vale cada centavo! Não só pelo tamanho mas por todo o conjunto da obra.

Esta é minha indicação de hoje no Coxinha´s Rules! Por que quando o amor não vem, a gente tem que amar mesmo assim!

Vocês encontram este orgasmo em forma de coxinha aqui:

http://www.scvilaolimpia.com.br/index.php?option=com_loja&view=loja&Itemid=4&codloja=2262842

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Bem-vindos ao Rustic Rules!

aqui é o seu lugar




Já pararam para pensar quantas vezes engoliram as palavras ou sentimentos por medo daquilo que os outros fossem dizer ou por medo de levar um não? Já pararam para pensar quantos talentos se escondem atrás de mesas de escritório (incluindo nós mesmos) por medo de arriscar? Já pararam para pensar quantas pessoas por estas redes sociais todas te conhecem de verdade?

Me chamo Rita de Cassia Jacob, 41 anos, divorciada, mãe e pai do meu lindo Tsunas e tia de 5 lindos presentes que a vida me deu. Designer, jardineira, cozinheira, marceneira e quantos "eiras" vierem pela frente. Para quem curte astrologia, sou áries com ascendente em áries e lua em escorpião. Não entendo muito de horóscopo mas já ouvi de quem conhece que esta associação me torna uma assassina... mas muito organizada. Com um pavio tão curto que faz com que eu construa um castelo com minhas ações e o derrube numa rapidez ninja, em uma abridinha de boca. Canhota, o que me ensinou a adaptar tudo no mundo em função das minhas necessidades. Estive acima do peso (gorda sim!) a vida inteira, o que me fez escutar coisas inimagináveis aos pobres e magros ouvidos mortais. Hoje, magra por fora, mas com uma gordinha linda que mora em meu coração! (Ela come um hamburguinho todos os dias às 9:00 hs. da manhã!). Lutei a vida inteira contra a religião que me era ensinada. Hoje sou Umbandista e não vivo sem minha fé. Detesto moda, tendências e tudo que faz com que as pessoas se tornem iguais. Tatuada e com piercings, a dita moda é minha e faço dela o que quero. Costumo dizer que não nasci para ser ovelha de seu ninguém. Para mim somos indivíduos e esta coisa de iguais é uma enorme pataquada. Não acredito em casamento (o que é este "até que a morte os separe", feras? Praga?), mas acredito piamente no Amor, para mim, ele é bicho livre. Joguei tudo para o alto mil vezes e arquei com as consequências disso. Outras vezes foi a vida que jogou tudo para o alto e mesmo assim segui em frente. Perdi meus pais para doenças bem tristinhas e numa sequência muito rápida. E seria hipocrisia minha não dizer que entendi a importância deles e o quanto eu os amava nos 40 min. do segundo tempo. Talvez, este tenha sido o estopim para eu estar aqui, contando algumas coisas desta vida para vocês.

Esta é uma pequena parte do meu "eu". E ao contrário do que possa parecer, este blog não é sobre mim, mas sobre nós! Aqui quero saber quem vocês são! Bem-vindos ao Rustic Rules! Onde todos são exclusivos! O território é meu, mas as regras são nossas! Divirtam-se! (ou não) bjos