quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Orgulho e suas amarras.

O Orgulho


Imagina se eu começasse este texto dizendo que tenho orgulho de ter abandonado o orgulho há muitos anos atrás? Poderia parecer esquisito, né? Mas, na verdade, não é. Este rapagão aí de cima é a minha representação deste sentimento. E na boca de muita gente ele é o pai de todos os grandes males. É ele o responsável pela reação em cadeia de todos os nossos defeitos. É por ele que discutimos, que ficamos presos em situações que não nos beneficiam mais, é por ele que não conseguimos perdoar.

A grande sacada deste cara é que ele não nasce com a alcunha de Orgulho. Quando bebê, ele se chama Amor-próprio! E o amor-próprio é uma das coisas mais necessárias desta vida! Devemos amar a nós mesmos, por que só assim conseguimos amar aos outros. O que acontece com o passar do tempo é que nós deixamos de nos amar, deixamos de cuidar de nós mesmos para querer que outros cuidem. Nos tornarmos monstros competitivos, em todos os sentidos, que não aceitam perder! Nunca! E é neste momento que aquele sentimento tão necessário na vida da gente se transforma no bonitão que ilustra este texto! O Orgulho nada mais é que o exagero de amor-próprio!

"Ah, mas você disse, no início, que se orgulhava te ter abandonado o orgulho". Disse sim, por que existe o orgulho bom e o orgulho ruim! E isso não é uma desculpa para este sentimento! Por exemplo: Podemos sim nos orgulhar das conquistas de nossos filhos, marido, esposa, namorado(a), amigos! Este é o orgulho bom! Saudável! Mas, a partir do momento, que achamos que nossos filhos, marido, esposa, namorado(a), amigos são melhores do que o dos outros a coisa muda de figura. O lance todo é medir a intensidade deste sentimento! Fazendo com que ele seja bom ou ruim.

A meu ver, a grande manifestação do orgulho nos dias de hoje está em não saber perder. Neste momento que surgem as ditas das amarras! O Orgulho nada mais é que um tirano, que manda e desmanda ao seu bel-prazer. Como disse acima, não queremos perder nada para ninguém! Não queremos que a pessoa passe na nossa frente na escada rolante, não queremos perder a promoção da empresa, queremos ser as mais bonitas da festa, não queremos perder o namorado, não queremos nem perder jogo de palito de fósforo! Claro que é sempre bom querer mais e melhor, mas fazemos isso aniquilando quem está em volta! Nunca nos perguntamos antes de qualquer atitude: "Faz diferença que eu vá na frente desta pessoa na escada rolante?", "Esta promoção é o que quero para meu futuro?", "Muda algo se eu for a mais bonita da festa?", "Ainda amo meu namorado ou isso é só posse?". Ao invés disso saímos com o gorilão por aí massacrando a tudo e todos, por que o Orgulho não fere só a nós mesmos! Ele também fere quem está a nossa volta! Fere, injuria, desgasta e mais um monte de nominhos feios como estes.

E sabem por que é tão difícil aceitar as perdas? Por que na maioria das vezes perdemos para nós mesmos! Por que ao aceitá-las temos que encarar juntos nossas limitações, nossos defeitos, nossas fraquezas e nossa incompetência. Por que se pararmos para analisar o por que delas, teremos que olhar para dentro de nós mesmos. E nada machuca mais o rapagão aí do que olhar para dentro de sí mesmo. A matemática é bem simples: quando você se vasculha por dentro, acha montes de tranqueiras que o orgulho não assume como sendo suas! Por ele nós nos achamos muito maiores e melhores do que realmente somos.

A boa notícia é que existe receita para que ele volte a ser o lindo e necessário amor-próprio!! Basta que a gente aceite perder de vez em quando, que a gente se aceite, que a gente se questione, que a gente entenda que somos especiais sim! Que a gente viva! Viva a nossa vida! Deixe a dos outros para lá! Cada qual sabe de suas escolhas e deve arcar com elas. Mas sem massacrar o outro. Arque sozinho. Na vida ninguém muda: ou se evolui ou se estagna. Minha escolha foi evoluir! E a de vocês, qual será?

Nenhum comentário:

Postar um comentário