segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A Linda Senhora.



Sabem aquelas vozes que ficam ecoando em sua cabeça? Eu não sei quanto a vocês, mas chego a ter diálogos intermináveis com várias e várias delas. Isso me atormentou durante muito tempo, porque a gente não quer ouvir, né? Fica aquela bagunça generalizada no cérebro, um bando de gente falando e você tentando apartar todo mundo! (Parece loucura...talvez seja..mas minha sensação é bem esta).

Eu sofro de ansiedade e, para quem não conhece, é a pior sensação que você pode ter. Já tive crises de chegar a ter taquicardia, com dor no braço e o escambau! Nestas crises, acontecem as tais conversas infinitas e, na maioria das vezes, as conclusões nunca são boas. Ansiedade é um monstrinho que fica pousado no seu ombro, soprando no seu ouvido coisas que você não quer saber. A gente sofre antes, a gente espera muito, a gente resolve coisas que nem deveriam ser resolvidas no momento. Com ela destruímos o mundo e a nós mesmos.

Foi desta sensação horrível que precisava ser controlada de alguma maneira, que passei a ouvir minhas vozes interiores. Mas para mim não bastava ouvir, precisava identificar! E assim conheci a Senhorinha de 90 anos que mora no meu coração!

Nunca fui muito boa para expressar sentimentos, sempre fui 8 ou 80! Mas minha linda Senhora é! E ela expressa isso através da comida! Para ela basta que você coma e repita! Nem precisa elogiar nem dizer que amou! É ela que pacientemente corta os biscoitos em forma de coração, assa um pernil por mais de cinco horas, prepara a ceia de natal e ano novo e tudo mais que for preciso! Ela tem a paciência que eu não tenho! (aaahhhh a paciência....).

É ela que segura e muito esta minha ansiedade (ela e o Caboclo que mora no meu coração, mas isto é outra história!). Ela me ensinou que, mesmo que eu não saiba expressar amor verbalmente, se eu colocar tudo o que sinto na hora que estou cozinhando, pronto! Os sentimentos estarão todos lá! É como se aquilo virasse uma poção mágica e que quem comer sentirá tudo aquilo que queria passar, sem que eu tenha que abrir a boca! Me ensinou que aquele turbilhão de coisas não precisava ficar guardado dentro de mim. Eles poderiam sair e fazer pessoas felizes, a minha maneira.

Por que esta é a grande sacada da coisa! Fazer as coisas a sua maneira! Mas fazer! Se expressar da maneira que ache melhor! Mas não deixar as coisas guardadas em você! É isso que nos adoece. Sentimento guardado, não importa se sejam bons ou ruins, apodrecem. E com eles, a gente também.

A Senhorinha de 90 anos que mora no meu coração é o meu jeito de expressar amor! Por que ela é amor! Amor doce e gordinho! O meu amor!

E ela aparecerá aqui no blog com suas receitas mágicas! Por que no mundo dos rústicos existe amor também! E a gente se alimenta dele! Sempre. E será o meu jeito de mostrar amor por vocês.

Espero que gostem!






















quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Rei dos Rústicos

meu pai

Se nós, os rústicos, vivêssemos em Regime Monárquico, este homem seria, sem sombras de dúvidas, o Rei! Seu nome é Antonio Jacob Filho, o "Seu Toninho", e ele é meu pai.

Nas minhas lembranças de infância ele sempre está sem camisa, vestindo sua tradicional bermuda, chinelos e com as guias, muitas delas, penduradas no pescoço. Meu pai era espírita. Um espírita de muitos centros e muitos Guias. Um descendente de sírios que honrava suas tradições ou pelo menos tentava e muito! O mundo foi e a modernidade nunca o atingiu. Não usava carteira, não tinha conta em banco, odiava computadores, usava celular por que o obrigavam. Vivia em função do trabalho, tirou férias uma única vez na vida. Detestava a palavra preguiça. Assim que alguém aqui em casa falasse sobre isso vinha sempre o sermão: "esta palavra é muito feia! Nunca pronunciei esta palavra na vida!". E era verdade, meu pai acordava todos os dias às quatro da manhã, tomava seu banho e partia para o canteiro de obra. E fazia isso assobiando! (Vou contar que ter alguém assobiando debaixo de sua janela às quatro da matina não era muito bacana não, viu?).

Homem de poucas demonstrações de carinho (abraços e beijos só em datas comemorativas e olhe lá) e dono de uma boca que, olha, fazia com que ele destruísse o mundo! O cabra não tinha papas na língua. Não importava quem fosse, onde fosse, se ele tivesse que dizer, dizia. Dono do famoso bordão "grande merda", esta era sua resposta para tudo o que contássemos a ele!  "Pai, tirei oito na prova!" a resposta era bate pronto "Grande merda, não fez mais que sua obrigação". E assim era com tudo e todos. Nas reuniões de família chegamos a inventar um "Assunto cartaz", que continha todos os assuntos que ele não podia falar, para que a reunião não acabasse em briga! Com os anos o cartaz se tornou um outdoor, que de nada resolvia. Ele falava o que bem entendia, sempre seguido de um risinho e a frase mediante as caras feias: "Ué, não era para falar disso?".

Meu relacionamento com ele sempre foi péssimo. Por que se os rústicos vivessem num Regime Monárquico ele seria o Rei. Acontece que nós não nascemos para ter um rei. E nos batemos de frente a vida inteirinha por conta disso. Ele querendo que eu fosse como ele queria e eu querendo ser eu mesma, e claro, fazendo de tudo para me tornar o mais diferente possível  das aspirações dele. Demorou muito tempo para eu perceber que éramos iguais, dois iguais tentando se tornar diferentes.

Como já disse, meu pai era espírita e viveu para sua religião a vida toda. Nas minhas memórias de infância também moram as imagens dos Santos e velas acesas que ficavam dentro do seu quarto, cresci com elas. Para mim, apesar de ser muito comum aquilo tudo, este sempre foi mais um dos motivos das nossas grandes brigas. Ele queria me ensinar e eu não queria aprender. Não queria seguir, não queria as obrigações. O ponto era: eu não queria ser igual a ele. Mesmo vendo o tanto de gente que ele ajudava com isso, mesmo vendo o quanto as pessoas gostavam de suas histórias, o tanto de gente que o procurava pedindo conselho. O quanto ele foi bom para tanta gente usando sua religião, eu não queria. Mas ele insistia. E muito.

Numa das muitas reviravoltas da vida (e minhas também), voltei a morar com ele. E logo me vi as voltas com as ordens, desbocamentos e a religião. Mas depois dos 35 anos a gente aprende a prestar mais atenção nas coisas, ou pelo menos tentar. Passei a prestar atenção nas histórias que ele contava, no jeito que ele agia, e descobri que debaixo daquela casca grossa existia um coração enorme. Que lutou a vida toda pelo amor dos filhos e dos netos (aahh os netos! os únicos seres que tiravam o Seu Toninho desta casca!). Que, do jeito dele, ele era amor também! Alí tinha amor, sim. Do jeito que ele sabia expressar.

A doença veio e, com isso, as obrigações dos Guias dele passaram a ser minhas. Não podia parar! Ele não queria que parasse. Deveria continuar até que ele ficasse bom, até que ele pudesse retomar. Passei a limpar as casinhas de Santo, acender as velas e tudo mais que deveria ser feito, enquanto ele me contava as histórias dos Orixás, sentado na porta da cozinha (as lindas histórias de quem tem fé!). Mas meu pai não ficou bom. A doença tragou ele como ele tragava o cigarro que nunca largava. Vi inúmeras vezes ele cheio de dor, levantando o braço aos céus e chamando por Deus. Meu pai nunca perdeu a Fé. Nem em seu pior momento. Num destes piores momentos foi a primeira vez que eu disse que o amava. A primeira vez em 41 anos. A primeira e última.

Meu pai me deixou no início deste ano. E logo depois de sua passagem veio o grande pulo do gato do Seu Toninho. A fé dele não podia parar! E a luta dele por conta de que eu entendesse sua religião e suas crenças e que alguém levasse isso adiante tinha a cartada final alí: Meu pai deixou sua herança espiritual para mim. Seus Guias se uniram aos meus Guias e hoje andamos juntos. As mesmas imagens que povoam minhas memórias de infância são aquelas onde rezo todas as noites. Meu pai me deixou a fé! E nunca poderia querer um presente melhor.

As contas das guias que adornavam seu pescoço ainda estão aqui, assim como o lugar onde ele orava para seu anjo da guarda. E é neste lugar que, todos os dias, acendo uma vela e digo: Pai, te amo onde quer que você esteja. nunca se esqueça disso.















segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Não nasci para ser princesa.

não nasci para ser princesa

Não nasci para ser princesa. E a vida ficou muito mais linda quando assumi que podia ser plebéia sim!

Princesas gostam de súditos. Eu sempre gostei de compainha. Não vou mentir que tenha tentado despertar a princesa que achava que dormia em mim. Na adolescência (nem por um milhão de caralhinhos esculpidos em barras de ouro voltaria a esta fase!), bem tentei ser igual àquelas que gostam dos súditos. Tentei os saltos altos, as saias justas, os vestidos, o glamour (tudo bem que eram os anos 80...e ninguém era glamouroso nos anos 80...) de ser a menina perfeita, elogiada pelos meninos da escola e tudo mais. Mas nas minhas veias corria o sangue de quem tinha feito muito bolo de barro na horta da nona, subido muitas vezes na goiabeira e caído sempre em cima do mesmo formigueiro (que sabia que estava lá!), catado tatu bola debaixo dos tijolos enquanto o Tio da Sanfona arranhava seu acordeão, escorregado de barriga no chão da copa cheio de sabão enquanto minha mãe não estava. Na minha cabeça sempre foi muito mais bacana ver o Falcon (eu e meu irmão temos uma diferença mínima de idade, ele sempre foi minha compainha quando criança) atravessar o quarto pendurado no varal, como se estivesse atravessando uma grande selva, do que brincar de boneca.

Mas segui tentando, por que é isso que a gente faz. A gente tenta se enquadrar naquilo que a sociedade diz para a gente que é o certo. Tentamos nos enquadrar na moda, nos trejeitos, no linguajar, nas atitudes. Tentamos por que temos medo da rejeição. É muito mais fácil ser incluído quando se é um igual. Na verdade, achamos que fomos incluídos, quando na verdade, passamos despercebidos. E vamos nos distanciando cada vez mais do que realmente somos. Achamos que é uma obrigação mostrar fragilidade, mostrar necessidade, mostrar carência. Deixamos de lado nosso conteúdo, crenças e ideais para seguir em meio a um bando. Um bando de iguais.

Hoje eu sei que posso ser muito mais mulher usando um All Star do que um salto alto (que me faz andar feito um orangotango manco..fora a dor...aaahh a dor!). Que minhas calças rasgadas me deixam mais feminina do que se usasse um tailler. Que posso usar blusas de herói, pisar descalça na terra e entrar em casa com o pé sujo, ficar com as mãos imundas e as unhas descascadas cuidando do jardim. Não preciso fazer de conta que gosto de comer salada, que me cuido usando cremes, que prefiro vinho ao invés de uma boa cerveja gelada num copo americano de boteco. E a grande sacada é realmente esta expressão: Eu não preciso! E isso não me faz ser menos ou mais do que ninguém. Me faz ser eu.

No auge dos meus 41 anos, se tivesse que escolher algum personagem do universo imaginário para ser, escolheria o Curupira! Pouco feminino, né? Mas foi esta alma soltinha no mundo, que aprendeu a se virar, que gosta do mato, da natureza, de andar descalça, de se sujar de terra, que não sente necessidade de mostrar fragilidade ou de esperar o príncipe vir socorrer para usá-lo como apoio, que me permitiu ser hoje o que sou. Foi esta linda alma rústica que não me fez ter súditos, mas sim grandes companheiros de aventuras nesta vida!

Eu não nasci para ser princesa. E é assim que sou feliz.
















quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Meu doce gigante.


meu tsunas

Muitos o conhecem como Tsunas, que vem de Tsunami, que é o que ele é. Nada onde passa fica inteiro, ou em pé ou, ao menos, um pouco abalado. Quando ele não derruba, ele esbarra...quando não esbarra...derruba. Quando está direito, entorta...quando está torto...entorta mais ainda. Seu nome é Giancarlo Jacob Peres Rodrigues, tem 11 anos e é meu filho. Meu doce gigante!

O Gica tem 1,63 m de altura, pesa 60 kg e calça 41. O que faz com que ele seja enorme perto das outras crianças de sua idade. No início ele sofria com o dito "bullying" na escola, por que parece um menino de 15 anos numa classe de crianças de 11. E sofreu pacas com isso. Chegava em casa reclamando que não tinha amigos, que não gostava da escola, que não queria ir mais. Até que aprendeu a vantagem de ser grande que é: ser grande! A partir daí uma sucessão de brigas na lanchonete envolvendo inclusive as mesas (que nem aquelas de bar, sacam?), crianças chorando na secretaria com o nariz sangrando. Minha presença passou a ser mensal na escola, muitas vezes quinzenal.

Não é de se estranhar esta mudança de comportamento. O Giancarlo vem de uma geração de Rústicos. Ninguém nesta família leva desaforo para casa. Ninguém. E eu, na minha função de mãe, ao comparecer ao colégio por conta das brigas, defendi o que era meu! Afinal, todas as vezes que meu filho teve esta reação, foi por que alguém provocou. A história sempre começa da mesma forma: "Então Senhora Rita, fulano chamou o Giancarlo de gordo e na terceira vez ele reagiu de forma agressiva"... então por que a mãe do fulano não está aqui também? terceira vez? Agredir com palavras na maioria das vezes dói muito mais que um soco bem dado. E paciência tem limite!

Mas o ponto desta história toda é que comecei a perceber que ele não gostava disso. Ele nunca se vangloriou de nenhuma briga, Nunca contou como uma aventura, muito pelo contrário, evita falar disso. Eu percebi que os socos que ele dava doíam muito mais nele do que no outro. Eu percebi que o meu Tsunas não era um Rústico!

O Giancarlo, de todas as pessoas que poderia ter puxado nesta vida, foi puxar a única que não carregava o gene da Rustiquez: minha mãe! Ele ensinou meu pai, um descendente de sírios machista pacas, que tudo bem se ele chegasse da escola e desse um beijo no avô dele, mesmo sendo homem. No começo o avô reclamava dizendo que homem não beijava outro homem. Mas ele insistiu dizendo que era o avô dele então não tinha problema. No final, meu pai esperava este momento e sorria depois do beijo. Ele tenta agradar a todos do jeito dele, mesmo que as pessoas não lhe deem atenção, ele continua tentando. E não se liga muito nesta coisa de atenção não. Se ele acha que agradou, para ele está bom. Brinca com minhas sobrinhas pequenas com a maior paciência do mundo e as meninas são loucas por ele. As brigas são só a maneira que ele achou de se defender de alguma forma. Se defender das palavras ruins, já que ele não consegue agredir as pessoas com elas, usou seu tamanho para intimidar.

Meu Tsunas é um nerd feliz. Que gosta de animes, Marvel e DC (sim gente, é possível gostar dos dois!), mangás, faz aula de robótica, xadrez e cubo mágico. Não gosta de esportes, assiste TV enquanto monta um quebra-cabeça e joga no tablet conversando com os amigos. Hiperativo, roqueiro, inteligente pacas e dono de um coração maior que o tamanhão dele.

Se eu gostaria que ele fosse um rústico? Não. Apesar de ser uma rústica assumida, eu acho que o mundo é e sempre será dos bons de coração. E tenho muito orgulho da vida ter me dado um ser assim para cuidar. A vida me deu um gigante. Que maior que suas atitudes e o seu tamanho é o seu amor. A vida me deu um gigante. Um doce gigante.

PS: as brigas cessaram um pouco...ou a intimidação funcionou ou acabaram as mesas da lanchonete.

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Zona de Conforto

vamos sair dela juntos


Sempre gostei de desenhar. Na escola meus cadernos eram repletos de desenhos e quase nenhuma anotação do que realmente deveria ter (o que me rendeu milhares de broncas no decorrer do período). Finalmente chega a faculdade! Primeiro ano básico e depois poderia optar por Licenciatura em Artes Plásticas ou Desenho Industrial. Artes Plásticas!!! Meu mundo de tintas, cores, pincéis, lápis e traços se formava como eu havia imaginado! Até que um dia, entra um professor barbudo e mal encarado na sala e diz: "Ou vocês tem que ser muito bons no que vão fazer ou viverão de vender quadros na Praça da Sé". Aquilo foi como um soco na minha cara e me acompanhou até o final do ano. Assim foi inaugurada minha primeira fugida para a Zona de Conforto: me matriculei em Desenho Industrial. Eu nem tentei! Por conta de uma frase dita por um cara que, definitivamente, não deveria lidar com alunos em formação, desisti do que tanto sonhava e corri para dentro da bolha quentinha e gostosa que o curso de design me apresentava. Era novidade na época. Curso promissor....eu só tinha 20 anos, o que me impediria de tentar meu sonho? se não desse certo era só tentar outra coisa...eu tinha TEMPO!

Logo veio o primeiro emprego em uma agência especializada em catálogos. O dono era um gaúcho bravo...muito bravo...bravo a ponto de estraçalhar os óculos na mão quando algo dava errado. A ponto de amassar o jornal e morder quando algo dava errado. A ponto de tacar o porta durex na cabeça de funcionários que não atendiam ao pé da letra o que ele queria. Todos tinham medo do homem. Ao ouvir o barulho dos sapatos dele estalando no corredor, todos corriam, sentavam em seus lugares e ficavam mudos. Fiquei quase 5 anos lá. Aprendi muito, não vou negar, mas ia trabalhar todos os dias achando que a próxima cabeça a ser rachada por um porta durex seria a minha. Quase 5 anos indo trabalhar com medo. Mas, meu salário caía na conta certinho, não tinha que me aventurar em entrevistas de emprego...tudo bem sentir medo ou ser esculachada, né? Não! Não estava tudo bem, por que ninguém tem vontade de levantar da cama para sentir medo, ou fazer o que não gosta, ou ser esculachado..mas a gente vai por que algum infeliz inventou a droga da frase: É o que temos para hoje.

Por conta disso, nos escondemos dentro desta bolha delícia que é a Zona de Conforto. Mas não enxergamos que ela é nossa prisão particular, é o que nos separa de nossas vontades e sonhos. Ela é o medo! O medo de sorrir para aquele carinha bonito que pega metrô todos os dias no mesmo horário que você ou de dizer um oi para a garota parada no ponto de ônibus. Por que vai que fazemos isso e somos ignorados!!! Mas não fizemos, portanto nunca saberemos. Ela é o medo de sonhar, nada ultrapassa a camada fininha da Zona de Conforto. É o medo de agir e de se aventurar.

Quantos de vocês acordam e dizem:" aahh, mais um dia de trabalho! Que delícia!!"? ou quantos olham para o trabalho depois de feito e dizem: "aahh que orgulho!!"? Quantos de vocês sorriem para o carinha do metrô ou dizem oi para a garota do ponto de ônibus? Quantos de vocês se escondem atrás de relacionamentos frustrados por que: É o que temos para hoje? Ou deixam de escrever, pintar, desenhar, jardinar, costurar, compôr lindas músicas ou o que quer que seja por conta de tempo? Ou medo de se expôr? Quantos projetos vocês tem guardados? Quantos sonhos?

Meu pai repetiu a vida toda que seu sonho era ter um sítio para criar umas galinhas, uns porcos e um laguinho para pescar. Trabalhou muito, sempre. Tirou férias uma única vez na vida. Empurrou o dito sonho, por que nunca era a hora. A doença veio e ele se foi levando o sonho do sítio. Minha mãe sempre dizia que se arrependia de ter largado a profissão dela. Era cabeleireira antes de casar e tinha um puta orgulho disso. Passou a vida dizendo que se arrependia e não voltou! A doença veio ela se foi levando o dito do arrependimento com ela.

O grande lance deste espaço, é que cansei de criar coisas e vê-las engavetadas por que não tenho tempo ou por que preciso engolir o que tenho para hoje. Já criei linhas de roupas bacanudas, já criei uma marca de comidinhas, já sonhei muito em cima das minhas ambições. e engavetei tudo, porque a Zona de Conforto me impede de passar pela sua bordinha fina e quentinha. mas a vida tem tempo. Vejo todos os dias gente cheia de talento se esconder atrás de mesas fazendo coisas mecânicas. A gente nasce, vive e morre. Não existe como fugir disso. Mas existe sim como fugir da Zona de Conforto, por que ela pode ser macia, gostosa e quentinha, mas o grande orgasmo está fora dela!

E eu convido todos a tê-lo! Por que sentir tesão pelo que fazemos é um dos grandes segredos desta vidinha aqui! Este lugar é nosso. Não quero falar só de mim e dos meus trabalhos, quero falar de gente talentosa, corajosa e que não tem medo de se expôr. Gente que tem coragem de estourar a camada fininha e deixar bater o sol no rosto e o vento nos cabelos. Por que é para isso que estamos aqui! Para tentar!

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Amor é bicho livre.

O meu carinha rosa preferido no mundo todo. O Amor.


Sabe aquela sensação gostosa que você tem após conhecer uma pessoa? Aquela vontade de estar junto, dormir junto, acordar junto, tomar café junto, fazer tudo junto? Então, isso é Paixão. E é muito diferente do carinha aí de cima.

Esta figura simpática é o Amor. Ao contrário do Ego, da Preguiça, da Paixão, do Orgulho e de muitos outros sentimentos, o Amor nasceu livre e não gosta de ficar grudado o tempo todo não! Ele gosta mesmo é de ser sentido! De ser curtido! Ele gosta de ficar um pouco distante e sentir saudade. A saudade que faz com que ele volte sempre ao mesmo lugar.

Um lindo dia temos a sorte de conhecê-lo. Lá está ele, lindo, de camiseta do Metallica, cabelo comprido e desgrenhado, tomando uma cerveja com os amigos. Seus olhos brilham. Os dele também. Ahá! Lá vem a figura rosa fazer parte da vida da gente!! E sabe qual é a primeira coisa que pensamos? "Aaahhh, tenho certeza que é para sempre!"...fué fué fué...primeira torcida de nariz do Amor. Sempre é tempo demais! Amor é agora! O cafézinho, a conversa gostosa, o boa noite pelo telefone (sem a brincadeira do "desliga primeiro você"...não preciso nem dizer o que acho disso), a cerveja geladinha, o acordar, o dormir e todas as milhares de coisas que são tão gostosas de se fazer a dois.

O Amor até perdoa o tal do "para sempre", afinal, alguém inventou o conto de fadas e enfiou na cabeça das pessoas que é assim que funciona (vocês repararam que quando dizem "e foram felizes para sempre" ninguém diz que continuaram juntos?). Até o dia em que damos uma camisa pólo para o Amor dizendo: Ah, Mozão, você fica tão mais lindo com ela!...e fazemos da blusa do Metallica pano-de-chão. Damos um corte de cabelo surpresa. Inventamos um jantar com as amigas no dia do chopp de quarta-feira com os camaradas. Dizemos que tem um almoço tradicional familiar todo domingo e que o Amor precisa ir (pre-gui-ça). Nisso o Amor vai minguando, vai emagrecendo, vai inquietando enquanto ouve nossa voz o tempo todo em sua orelha: Mas Mô...vc está tão diferente! Que está acontecendo?. Pedimos a senha do celular, chafurdamos em todas as redes sociais a procura de algo que só existe na cabeça da gente, até que colocamos o carinha rosa em uma jaula. E quando ele dá o basta, quebra as grades e se vai, choramos desvairadamente dizendo não saber o que aconteceu.

Se acabou é por que não era Amor? Mentira..era sim! Mas temos o péssimo hábito de não enxergar que os defeitos da pessoa sempre estiveram alí, nós que fingimos não ver. Ficamos tentando moldar o outro a tudo aquilo que sonhamos para nós durante a vida. Sonhamos pelo outro. Seguimos regras sociais antiquadas e que nunca fizeram ninguém feliz de verdade. Copiamos padrões que não funcionam, ao invés de simplesmente respeitar e aproveitar.

Se acabou é por que Amor é bicho livre. E a natureza dele é livre por que nós, seres humanos cabeçudos, nascemos para ser livres! Você tem a sorte de ter um carinha rosa destes na sua vida? Cuide, aproveite mas não o prenda. Amor solto, livre e feliz sempre fica! E algumas vezes, para sempre.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Coxinha´s Rules

Coxinha é amor


Descobri há uns dois anos o gosto de ser magra...mas vou contar a vocês que nunca na vida será mais gostoso do que uma coxinha com catupiry! Coxinha, para mim, é uma das maiores expressões de amor em forma de comida. Amor em forma de bolinha com pontinha! Crocante, quentinha e bem recheúda é sempre uma dose de felicidade nos nossos dias tão corridos e cheios de coisas para resolver (e não me venham com chatice de fritura, gordura, carboidrato, calorias e sei lá mais o quê! Aqui estamos falando de amor!)

Esta maravilha da foto é do Varanda, no Shopping Vila Olímpia. Costumo dizer que ela é o ovo de páscoa das coxinhas. O tamanho vale por uma refeição. Massa fininha, crocante por fora e macia por dentro, frango bem temperado e em uma quantidade absurda e embaixo...aaahhhh uma enorme camada de catupiry delícia!

Na minha opinião, amor não deveria ter preço..mas este tem. Custa R$7,60 mas eu garanto que vale cada centavo! Não só pelo tamanho mas por todo o conjunto da obra.

Esta é minha indicação de hoje no Coxinha´s Rules! Por que quando o amor não vem, a gente tem que amar mesmo assim!

Vocês encontram este orgasmo em forma de coxinha aqui:

http://www.scvilaolimpia.com.br/index.php?option=com_loja&view=loja&Itemid=4&codloja=2262842

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